Divisão de Colônias

Divisão de Colônias de Abelhas – Métodos de divisão de colônias para multiplicações de enxames com sucesso. Método de perturbação mínima e doação de favos.

Divisão de colônias de abelhas – Entende-se por divisão de colônias o trabalho de induzir sua multiplicação.

De maneira geral, o processo de divisão consiste em dividir os elementos de uma colônia forte – as abelhas, os favos de cria e o alimento – entre duas caixas, sendo uma delas a “colônia-mãe”, que permite o povoamento de uma caixa vazia, formando a “colônia-filha”.

Opcionalmente, usa-se uma terceira colônia como doadora de campeiras, favos, alimento ou rainha. A multiplicação artificial de colônias é um mecanismo importante para a conservação das abelhas sem ferrão, uma vez que pode subsidiar o repovoamento de populações em ambientes degradados e evitar a aquisição predatória de colônias em habitats naturais.

É, ainda, uma alternativa econômica, pois permite que o meliponicultor venda colônias para futuros criadores, centros de pesquisa, projetos de repovoamento ou polinização agrícola. A seguir, serão apresentados alguns métodos de divisão, levando-se em conta as diferenças básicas entre os grupos Meliponini e Trigonini.

Método da doação de favos – Divisão de Colônias

Trata-se do método mais tradicional, empregado de forma semelhante pela meliponicultura tradicional em diversas regiões do Brasil.

Nele, a “colônia-mãe” cede de dois a quatro favos de cria madura, aquela de coloração amarelada, para o povoamento de uma caixa nova, ou “colônia-filha”.

A cria madura contém abelhas prestes a nascer e, portanto, proporciona o estabelecimento mais acelerado do trabalho das operárias na caixa nova.

Divisão de Colônias - Método da doação de favos
Divisão de Colônias – Método da doação de favos

A colônia-filha deve ser colocada no lugar da colônia-mãe. Assim, ela receberá as abelhas campeiras – aquelas que voam – que colaborarão na defesa e organização da nova caixa.

A colônia mãe deve ser transportada e instalada em um lugar distante, a no mínimo 10 metros, evitando que o cheiro da rainha ali presente atraia as campeiras, o que impediria a permanência das mesmas na caixa nova.

Divisão de Colônias - Distância entre Colônia Mãe e Filha
Divisão de Colônias – Distância entre Colônia Mãe e Filha

Opcionalmente, é possível utilizar uma terceira colônia como doadora de campeiras. Nesse caso, a colônia mãe permanece em seu lugar original.

Uma terceira caixa também pode ser utilizada para doação de uma rainha, o que proporciona o desenvolvimento mais acelerado das colônias divididas após a divisão de colônias.

Vale lembrar que todo o cuidado é pouco no transporte de uma rainha, devendo-se evitar tocá-la com as mãos.

Vinte dias após a divisão – tempo suficiente para a formação de uma nova rainha – a colônia-filha deve ser alimentada.

Para tanto, pode receber potes de alimento de outras colônias ou alimentação artificial.

Etapas da divisão com o método de doação de favos
Etapas da divisão com o método de doação de favos

A seguir, serão apresentados alguns detalhes e dicas que devem ser considerados durante o processo de divisão com o método de doação de favos:

1. Ao transferir os favos para a caixa nova, os mesmos não devem ser apoiados no assoalho de madeira. Com o intuito de possibilitar o trânsito das operárias por baixo dos favos, aconselha-se que sejam apoiados sobre “bolotas” de cerume, com aproximadamente 0,5 cm de diâmetro;

2. É aconselhável que, durante a divisão, certa quantidade de cerume – que pode ser retirado do invólucro da caixa-mãe – ou própolis seja transferida para a caixa nova. Este material servirá como matéria-prima para a organização da nova morada;

3. Como já comentado, é interessante que o orifício de entrada da caixa nova seja reduzido com um pedaço de cerume, facilitando a defesa da colônia até que a mesma se estruture;

4. É importante que a fresta da tampa da nova caixa seja vedada com fita crepe, evitando a entrada de formigas ou forídeos;

5. Tanto a colônia-mãe quanto uma caixa doadora de campeiras pode receber alimentação artificial 24 horas depois da divisão, uma vez que já possuem suas rainhas. Nesse caso, a alimentação colaborará para uma recuperação mais acelerada das colônias.

No caso da divisão de espécies da tribo Trigonini, exatamente os mesmos passos descritos acima devem ser seguidos. No entanto, o meliponicultor deve estar atento para que os favos de cria nascente que ocuparão a nova caixa contenham células reais.

Como apresentado em nosso post sobre A diferença entre Trigonas e Meliponas, neste grupo de abelhas a formação de uma nova rainha se dá por meio das células reais, o que não ocorre com os Meliponini, onde células de cria com rainhas virgens ocorrem normalmente entre os favos.

A figura abaixo destaca as células reais da abelha jataí (Tetragonisca angustula). Nota-se o tamanho maior que o das células comuns.

Divisão de Colônias - Células reais de Abelha Jataí
Divisão de Colônias – Células reais de Abelha Jataí

Método de perturbação mínima – Divisão de Colônias

Trata-se de um método que depende da utilização de um modelo de caixa específico, no caso a “Fernando Oliveira” ou  Caixas INPA, já apresentada anteriormente.

Uma das grandes qualidades deste modelo é justamente possibilitar a divisão de enxames através do método de “perturbação mínima”, idealizado pelo criador da caixa.

Neste método, em poucos minutos, e sem a necessidade de se manusear os favos de cria com as mãos, obtém-se duas colônias através da divisão de uma única. A vantagem do método é a recuperação acelerada do enxame e a menor incidência de pragas após a divisão.

Como destacado anteriormente, o módulo de divisão (ou sobreninho) daquele tipo de colmeia possui quatro cantoneiras triangulares em sua porção inferior, formando uma passagem em forma de losango.

Esse sistema é o grande responsável pela eficiência dessa caixa para o processo de reprodução. Como ilustrado na figura abaixo, podemos observar que, no momento da multiplicação, os módulos fundo e divisão são separados, repartindo o ninho em duas metades.

Os triângulos de madeira dão apoio à parte superior, fazendo com que não seja necessário o uso das mãos para dividir os favos.

Divisão de Colônias - Distribuição dos elementos da colônia durante uma divisão com o método deperturbação mínima
Divisão de Colônias – Distribuição dos elementos da colônia durante uma divisão com o método deperturbação mínima
Divisão de Colônias - Distribuição dos elementos durante a divisão de uma colônia com duasmelgueiras cheias
Divisão de Colônias – Distribuição dos elementos durante a divisão de uma colônia com duas melgueiras cheias

A participação de duas pessoas no processo é muito importante. O meliponicultor que manuseia o formão e divide os módulos é o responsável por observar os elementos internos da colônia, verificando em quais partes ficaram os diferentes favos: verdes (postura) ou maduros (nascente).

De forma semelhante ao método de doação de favos, a colônia que ficar com a maior parte dos favos de cria madura deve ser transportada a uma distância mínima de 10 metros.

Essa condição é diagnosticada no momento da separação de módulos, com base nos favos observados no fundo da colônia dividida. Caso o módulo inferior (fundo) apresente favos de cria verde, constata-se, por exclusão, que os favos maduros ficaram em cima, ou seja, no módulo de divisão (ou sobreninho).

Para as espécies da tribo Trigonini, esse método é um pouco mais complexo – uma vez que na velocidade da separação dos módulos é difícil visualizar as células reais, mas não inviável.

Tendo em vista a viabilidade de formação de rainhas nas duas caixas resultantes da divisão, deve-se considerar que no momento da separação dos favos duas situações podem ocorrer:

1. Uma das caixas (caixa A) fica com a rainha (ou até mesmo com alguma célula real) e a outra (caixa B) fica com as células reais – nesse caso a divisão será bem sucedida, uma vez que ambas, em determinado tempo, terão rainhas.

2. Uma das caixas (caixa A) fica com a rainha e com todas as células reais, enquanto a outra (caixa B) fica sem nenhuma célula real – nesse caso a divisão não terá sucesso, uma vez que a segunda caixa não formará uma nova rainha.

O meliponicultor tem como identificar a ocorrência da segunda situação (insucesso) caso ao inspecionar a caixa 20/30 dias depois da divisão, não identificar atividade de postura na nova colônia, ou seja, não encontrar favos verdes (de postura).

Ausência de postura significa ausência de rainha poedeira. Nesse caso, a solução para que as duas colônias formadas com a divisão sobrevivam é simples: basta retirar a rainha da caixa A e introduzir na colônia “órfã” (caixa B).

Lembrando que a caixa A, por ter algumas células reais e/ou rainhas virgens, também formará uma rainha poedeira. É importante destacar que, na imensa maioria das vezes, a divisão de espécies da tribo Trigonini com o método de perturbação mínima gera a situação 1, ou seja, ambas as colônias formadas ficam com células reais.

Sendo assim, o uso da dica para solucionar a situação 2 raramente é necessário, o que faz com que esse método, para esse grupo de abelhas, também seja muito eficiente.

fonte: Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão

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