O Brasil possui uma das maiores diversidades de abelhas do mundo. Entre elas estão as abelhas nativas sem ferrão, grupo que reúne centenas de espécies com diferenças marcantes de tamanho, comportamento, formato do ninho, produção de mel e adaptação ao manejo.

Jataí, Mandaçaia, Uruçu, Manduri, Tubuna, Mandaguari, Iraí e Mirim estão entre os nomes mais conhecidos. No entanto, existem muitas outras espécies distribuídas pelos diferentes biomas e regiões brasileiras.
Por isso, escolher uma espécie apenas pela aparência ou pela produção de mel pode ser um erro. Antes de iniciar uma criação, é fundamental conhecer sua ocorrência natural, adaptação climática, comportamento e características da colônia.
Neste guia você conhecerá as principais espécies de abelhas sem ferrão do Brasil, suas diferenças e, mais abaixo, poderá consultar a relação de espécies por estado.
O que são abelhas sem ferrão?
As abelhas nativas sem ferrão pertencem à tribo Meliponini. São abelhas sociais que vivem em colônias organizadas e possuem o ferrão atrofiado, não conseguindo utilizá-lo da mesma forma que as abelhas do gênero Apis.
Isso não significa, porém, que todas sejam completamente indefesas. Dependendo da espécie, elas podem utilizar diferentes estratégias de proteção da colônia, como morder, enrolar-se nos cabelos, utilizar resinas ou liberar substâncias irritantes.
As colônias normalmente possuem uma rainha, operárias e machos em determinados períodos. Além disso, armazenam alimento em potes de cerume e utilizam diferentes materiais na construção e proteção do ninho.
Na natureza, muitas espécies ocupam cavidades em troncos de árvores. Outras apresentam estratégias diferentes de nidificação, inclusive espécies que constroem seus ninhos no solo.
Na criação racional, diversas espécies podem ser mantidas em caixas próprias para abelhas sem ferrão, permitindo inspeções e determinados manejos sem destruir a estrutura completa da colônia.
Quantas espécies de abelhas sem ferrão existem no Brasil?
O Brasil possui uma enorme diversidade de meliponíneos. São conhecidas aproximadamente 330 espécies de abelhas nativas sem ferrão no país, distribuídas em dezenas de gêneros.
Essa diversidade ajuda a explicar por que os nomes populares podem variar tanto. Uma mesma espécie pode receber nomes diferentes dependendo da região, enquanto o mesmo nome popular pode ser utilizado para abelhas diferentes.
Por esse motivo, o nome científico é uma referência importante para identificar corretamente cada espécie.
Também é importante diferenciar as abelhas nativas sem ferrão das numerosas espécies de abelhas solitárias existentes no Brasil. Embora ambas tenham enorme importância ecológica, possuem comportamentos e formas de organização bastante diferentes.
Principais espécies de abelhas sem ferrão criadas no Brasil
Nem todas as centenas de espécies brasileiras são utilizadas com a mesma frequência na meliponicultura. Algumas se destacam por sua adaptação às caixas racionais, facilidade de manejo, interesse ecológico ou produção de mel.
Entre as espécies e grupos mais conhecidos pelos criadores estão:
Abelha Jataí
A Jataí (Tetragonisca angustula) é uma das abelhas sem ferrão mais conhecidas do Brasil. Pequena e bastante adaptável, pode estabelecer colônias inclusive em ambientes urbanos.
É frequentemente escolhida por pessoas que desejam começar na meliponicultura, especialmente quando a espécie possui ocorrência natural na região.
Além disso, ocupa pouco espaço e pode contribuir significativamente para a polinização de jardins, hortas e outras plantas próximas ao meliponário.
Abelha Mandaçaia
A Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) é uma das espécies mais admiradas pelos meliponicultores. Possui porte maior que a Jataí e apresenta características bastante marcantes.
Seu manejo exige mais atenção do criador, especialmente em relação à disponibilidade de alimento, condições climáticas e desenvolvimento da colônia.
A Mandaçaia é uma excelente representante do gênero Melipona e possui grande importância ecológica.
Abelha Uruçu
O nome Uruçu é utilizado para diferentes abelhas, especialmente espécies do gênero Melipona. Entre as mais conhecidas está a Uruçu-Nordestina ou Uruçu-Verdadeira (Melipona scutellaris).
São abelhas de maior porte e algumas espécies apresentam bom potencial produtivo. No entanto, a ocorrência natural deve ser considerada antes da escolha para criação.
Por isso, não se deve tratar “Uruçu” como se fosse uma única espécie distribuída naturalmente por todo o Brasil.
Abelha Manduri
A Manduri é outra abelha do gênero Melipona encontrada em determinadas regiões brasileiras. É uma espécie muito interessante para conservação e criação racional.
Seu manejo deve considerar as características da espécie, clima local e disponibilidade de recursos florais.
Abelha Tubuna
A Tubuna (Scaptotrigona bipunctata) forma colônias bastante populosas e apresenta comportamento mais defensivo do que espécies pequenas e dóceis, como a Jataí.
Apesar de não possuir ferrão funcional, pode defender vigorosamente sua colônia através de mordidas e outras estratégias.
Consequentemente, o local de instalação das caixas e a experiência do criador merecem maior atenção.
Abelha Mandaguari
O nome Mandaguari está associado a abelhas do gênero Scaptotrigona. São abelhas bastante ativas, com colônias populosas e características interessantes para a meliponicultura.
Assim como ocorre com outros nomes populares, é importante confirmar a espécie e sua ocorrência regional antes de adquirir uma colônia.
Abelha Iraí
A Iraí (Nannotrigona testaceicornis) é uma pequena abelha sem ferrão conhecida pela docilidade e pela atividade de suas colônias.
Seu tamanho reduzido permite que utilize cavidades relativamente pequenas. Além disso, pode ser interessante em projetos de jardins para polinizadores e meliponicultura urbana onde sua ocorrência natural seja compatível.
Abelhas Mirim
O nome Mirim é utilizado para diferentes espécies, especialmente do gênero Plebeia. Mirim-Droryana, Mirim-Guaçu, Mirim-Emerina e Mirim-Saiqui são alguns exemplos encontrados no Brasil.
São abelhas pequenas e muito interessantes para conservação e observação. Entretanto, novamente, o nome popular sozinho não é suficiente para determinar a espécie.
Comparação entre algumas abelhas sem ferrão
| Abelha | Nome científico ou gênero | Porte | Comportamento geral | Indicação para iniciantes |
|---|---|---|---|---|
| Jataí | Tetragonisca angustula | Pequeno | Geralmente dócil | Alta |
| Mandaçaia | Melipona quadrifasciata | Médio | Geralmente manejável | Média |
| Uruçu-Verdadeira | Melipona scutellaris | Grande | Ativa | Média |
| Manduri | Melipona spp. | Pequeno a médio | Variável | Média |
| Tubuna | Scaptotrigona bipunctata | Médio | Defensiva | Média/baixa |
| Mandaguari | Scaptotrigona spp. | Médio | Ativa | Média |
| Iraí | Nannotrigona testaceicornis | Pequeno | Dócil | Alta |
| Mirim | Plebeia spp. | Muito pequeno | Geralmente dócil | Média |
Importante: essa comparação é apenas uma orientação geral. Comportamento, desenvolvimento e facilidade de manejo também dependem da espécie específica, força da colônia, clima, disponibilidade de alimento e experiência do meliponicultor.
Qual é a melhor espécie de abelha sem ferrão para criar?
Não existe uma única espécie que possa ser considerada a melhor para todos os meliponicultores.
Para quem está começando, a primeira pergunta não deveria ser apenas “qual abelha produz mais mel?”, mas sim: quais espécies ocorrem naturalmente na minha região?
Esse ponto é fundamental porque as populações de abelhas desenvolveram relações com as condições climáticas, floradas e características ambientais de suas áreas de ocorrência.
Além disso, a legislação brasileira estabelece regras para criação, manejo e transporte das abelhas nativas sem ferrão. Portanto, antes de adquirir colônias, o criador deve verificar também as normas aplicáveis em seu estado.
Para iniciantes
Quando possui ocorrência natural na região, a Jataí costuma ser uma das alternativas mais interessantes devido ao pequeno porte, boa adaptação e relativa facilidade de manutenção.
Iraí e determinadas espécies de Mirim também podem ser interessantes. No entanto, colônias muito pequenas exigem atenção a inimigos naturais e disponibilidade de alimento.
Para quem busca produção de mel
Algumas espécies do gênero Melipona, como determinadas Uruçus e Mandaçaias, podem despertar maior interesse produtivo.
Porém, produtividade não depende apenas da espécie. Floradas disponíveis, força das colônias, clima, manejo e quantidade de caixas influenciam diretamente o resultado.
Para jardins e ambientes urbanos
Espécies pequenas e menos defensivas costumam ser mais convenientes quando o objetivo é manter abelhas próximas da residência.
Nesse cenário, Jataí, Iraí e algumas Mirins podem apresentar vantagens. Ainda assim, o espaço precisa oferecer segurança, sombra adequada, água e principalmente recursos florais.
Posso criar qualquer espécie de abelha sem ferrão no meu estado?
Não se deve escolher uma espécie sem considerar sua área de ocorrência natural.
A criação de abelhas nativas sem ferrão no Brasil é disciplinada por normas ambientais, incluindo a Resolução CONAMA nº 496/2020. Além disso, existem regras relacionadas ao transporte e à criação fora da área de ocorrência natural.
Por isso, antes de comprar ou transportar uma colônia entre estados, consulte a regulamentação atual e o órgão ambiental competente.
Além da questão legal, existe uma razão ecológica para esse cuidado. Transportar abelhas indiscriminadamente entre regiões pode provocar impactos sobre populações locais e não deve ser tratado como uma simples escolha comercial.
Como escolher uma espécie para começar um meliponário?
Antes de comprar a primeira colônia, analise pelo menos cinco fatores:
- Ocorrência natural: verifique quais espécies são nativas da sua região.
- Clima: temperatura, umidade e inverno podem influenciar fortemente as colônias.
- Flora disponível: observe se existem floradas suficientes ao longo do ano.
- Espaço: algumas espécies são mais adequadas para ambientes residenciais do que outras.
- Experiência: espécies muito defensivas ou com manejo mais delicado podem não ser a melhor escolha para a primeira colônia.
Também é necessário considerar o investimento. Caixa racional, suporte, cobertura, ferramentas básicas e aquisição legal das colônias fazem parte do custo inicial.
Por outro lado, não é necessário começar com dezenas de caixas. Para aprender, poucas colônias bem cuidadas podem ser muito mais úteis do que um meliponário grande instalado sem planejamento.
Quais abelhas sem ferrão existem na sua região
As espécies de abelhas sem ferrão não estão distribuídas igualmente pelo Brasil. Enquanto algumas possuem ampla ocorrência, outras são encontradas naturalmente apenas em determinadas regiões ou estados.
Por isso, antes de escolher uma espécie para criar, é importante verificar sua ocorrência natural na sua região. Essa informação ajuda tanto na escolha de uma abelha adaptada às condições locais quanto na criação responsável.
Quer descobrir quais espécies podem ocorrer onde você mora? Consulte nosso guia completo de abelhas nativas por região do Brasil, com informações organizadas geograficamente para facilitar a consulta.

resido em Planaltina Goiás já identificamos 02 enxames de Mirim Droryana aqui na cidade más pelo meio ambiente a espécie não é nativa no Goiás, não sei como e onde catalogar esses enxames p/ iniciar os estudos c/ fim de incluir a espécie no estado ou região.
Olá Angelo. Procure alguma universidade que tenha pesquisadores sobre abelhas nativas.