Abelha Mandaçaia: Guia Completo sobre Características, Criação e Manejo

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A abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) é uma abelha nativa sem ferrão encontrada em diversas regiões do Brasil. Conhecida pelo corpo escuro com faixas amarelas no abdômen, mede aproximadamente 10 a 12 mm e se destaca pela produção de mel, pela polinização e pela criação em caixas racionais. Entre as formas mais conhecidas estão a Mandaçaia MQQ, com faixas amarelas geralmente contínuas, e a MQA, com faixas interrompidas. Neste guia, você conhecerá suas características, diferenças, fotografias, estrutura do ninho e cuidados para criar essa espécie.

Caixa de madeira para criação de abelhas sem ferrão em ambiente arborizado, ilustrando um guia sobre a abelha Mandaçaia.
Caixa racional de madeira utilizada como ilustração da criação de abelhas sem ferrão em ambiente protegido.

Se você está pensando em criar mandaçaias, deseja conhecer melhor essa espécie ou procura informações confiáveis antes de investir em uma colônia, este guia foi elaborado para responder praticamente todas as perguntas sobre o assunto. Ao longo deste artigo você descobrirá como vivem essas abelhas, quais são suas principais características, onde podem ser criadas, quais equipamentos são necessários e quais erros devem ser evitados.

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Além disso, você entenderá por que a mandaçaia é considerada uma das melhores opções para quem deseja iniciar na meliponicultura de forma responsável, contribuindo para a conservação das abelhas brasileiras e aumentando a polinização de jardins, hortas e pomares.


O que é a abelha mandaçaia?

A abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) é uma espécie de abelha nativa sem ferrão pertencente ao gênero Melipona. Encontrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, destaca-se pelo corpo robusto, pela coloração escura e pelas quatro faixas amarelas presentes no abdômen.

Abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) em close, mostrando o corpo escuro, as asas translúcidas e as faixas amarelas do abdômen.
Abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), espécie nativa sem ferrão reconhecida pelo corpo escuro e pelas faixas amarelas características do abdômen.

Embora pertença ao mesmo gênero das abelhas conhecidas como Uruçu, a Mandaçaia apresenta características e distribuição geográfica próprias. Para entender essas diferenças, conheça também nosso guia sobre os diferentes tipos de abelha Uruçu, suas características e cuidados de criação.

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É uma espécie muito apreciada na meliponicultura pela produção de mel, pela importância na polinização e pela possibilidade de criação em caixas racionais, desde que sejam respeitadas suas necessidades ambientais e as normas aplicáveis ao manejo.

Seu nome tem origem indígena e é tradicionalmente interpretado como “vigia bonita”, uma referência às abelhas guardiãs que permanecem próximas à entrada da colônia, observando a movimentação e protegendo o ninho contra possíveis invasores.

Diferentemente das abelhas africanizadas (Apis mellifera), as Mandaçaias não possuem ferrão funcional. Entretanto, isso não significa que sejam completamente indefesas. Quando ameaçadas, podem utilizar mordidas e comportamentos coletivos de defesa para proteger a colônia.

Por apresentar comportamento geralmente dócil e características interessantes de organização social, a Mandaçaia é procurada tanto por meliponicultores iniciantes quanto por criadores experientes. Seu manejo, porém, exige conhecimento sobre alimentação, temperatura, umidade e desenvolvimento das colônias.

Toda abelha chamada Mandaçaia pertence à mesma espécie?

Não necessariamente. O nome popular Mandaçaia pode ser utilizado para identificar diferentes espécies de abelhas nativas sem ferrão, dependendo da região brasileira.

A Melipona quadrifasciata, abordada neste guia, é conhecida pelas faixas amarelas no abdômen e pelas duas formas tradicionalmente classificadas como:

  • Mandaçaia MQQ (Melipona quadrifasciata quadrifasciata): apresenta faixas amarelas geralmente contínuas no abdômen.
  • Mandaçaia MQA (Melipona quadrifasciata anthidioides): apresenta faixas amarelas geralmente interrompidas na região central do abdômen.

Já a Melipona mandacaia é outra espécie, associada principalmente ao bioma Caatinga e também conhecida popularmente como Mandaçaia em determinadas regiões do Nordeste.

Apesar da semelhança dos nomes, são espécies diferentes, com características biológicas e necessidades de manejo que podem variar.

Por isso, conhecer o nome científico e a procedência da colônia é fundamental para identificar corretamente a abelha e oferecer condições adequadas para sua criação. Além disso, a continuidade das faixas amarelas, isoladamente, não é suficiente para confirmar todas as identificações taxonômicas ou possíveis hibridações.


Subespécies de Abelhas Mandaçaia

Existem duas subespécies principais de abelhas mandaçaia, além de indivíduos híbridos.

Melipona quadrifasciata quadrifasciata (MQQ)

  • Apresenta faixas amarelas geralmente contínuas no abdômen.
  • É tradicionalmente identificada como Melipona quadrifasciata quadrifasciata.
  • Está associada principalmente a populações do Sul e de parte do Sudeste brasileiro.
  • A identificação precisa também deve considerar a procedência da colônia, pois existem variações e populações com características intermediárias.
Abelha Mandaçaia sobre estruturas de cerume no interior do ninho, mostrando o corpo escuro e as faixas amarelas do abdômen.
Abelha Mandaçaia fotografada no interior de seu ninho, sobre estruturas de cerume. A imagem ilustra a Mandaçaia MQQ (Melipona quadrifasciata quadrifasciata).

Melipona quadrifasciata anthidioides (MQA)

  • Apresenta faixas amarelas geralmente interrompidas na região central do abdômen.
  • É tradicionalmente identificada como Melipona quadrifasciata anthidioides.
  • Possui ampla distribuição geográfica, com ocorrência em diferentes condições ambientais.
  • A identificação precisa deve considerar a procedência da colônia e outras características, além das faixas abdominais.
Abelha Mandaçaia sobre superfície de terra, com faixas claras no abdômen, ilustrando as características da variedade MQA.
Abelha Mandaçaia apresentada como MQA (Melipona quadrifasciata anthidioides), variedade conhecida pelas faixas amarelas geralmente interrompidas no abdômen.

Mandaçaia Híbrida

O cruzamento entre Mandaçaias MQQ e MQA pode originar indivíduos híbridos. Enquanto a MQQ apresenta faixas amarelas contínuas no abdômen e a MQA apresenta faixas interrompidas, exemplares com características intermediárias podem ocorrer. Entretanto, a aparência das faixas não é suficiente para confirmar a origem híbrida de uma abelha.

Comparação de três abelhas Mandaçaia, mostrando faixas amarelas contínuas e interrompidas no abdômen, características utilizadas para diferenciar MQQ e MQA.
Comparação dos padrões de faixas amarelas da abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata). A MQQ apresenta faixas contínuas, enquanto a MQA possui faixas interrompidas na região central do abdômen. Exemplares com padrões intermediários exigem avaliação adicional para confirmação de possível hibridação.

Características da abelha mandaçaia

A mandaçaia apresenta diversas características que a diferenciam das demais espécies de abelhas sem ferrão. Algumas delas são facilmente percebidas apenas observando a entrada da colônia.

Tamanho

As operárias medem aproximadamente entre 10 e 12 milímetros, sendo maiores que espécies populares como Jataí e Mirim. Seu corpo robusto facilita o transporte de pólen e néctar durante o forrageamento.

Coloração

O corpo é predominantemente preto, apresentando faixas amarelas no abdômen. Essas listras são uma das principais características utilizadas para sua identificação.

Comportamento

As mandaçaias possuem excelente organização social. Há divisão clara entre rainha, operárias e zangões, além de funções específicas para defesa, limpeza, construção da colônia, alimentação das crias e coleta de recursos.

Outro comportamento bastante conhecido é a presença permanente de abelhas sentinelas na entrada da caixa, monitorando qualquer aproximação.

Produção de mel

Embora produzam menor quantidade de mel quando comparadas às abelhas africanizadas, o mel da mandaçaia é considerado um dos mais valorizados da meliponicultura brasileira devido ao seu sabor suave, aroma marcante e propriedades diferenciadas.


Onde a mandaçaia é encontrada?

A distribuição natural da mandaçaia concentra-se principalmente na Mata Atlântica e em áreas de transição para o Cerrado.

Ela pode ser encontrada naturalmente em estados como:

  • Rio Grande do Sul
  • Santa Catarina
  • Paraná
  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Minas Gerais
  • Espírito Santo
  • Mato Grosso do Sul

Entretanto, sua criação também ocorre em diversas outras regiões brasileiras, desde que sejam respeitadas as normas ambientais relativas ao transporte e manejo de espécies nativas.

Antes de adquirir uma colônia, vale a pena verificar se a espécie ocorre naturalmente em sua região. Isso normalmente resulta em melhor adaptação ao clima e maior desenvolvimento da colônia.


Como é o ninho da mandaçaia?

Na natureza, essas abelhas costumam ocupar cavidades encontradas em árvores vivas ou troncos ocos. O interior do ninho apresenta uma arquitetura extremamente organizada.

Os principais elementos encontrados são:

  • Discos horizontais de cria;
  • Potes de mel;
  • Potes de pólen;
  • Invólucro envolvendo os discos;
  • Batume utilizado para vedação;
  • Entrada protegida por tubo curto de cerume.

Toda essa estrutura é construída utilizando cerume, uma mistura de cera produzida pelas próprias abelhas com resinas vegetais coletadas durante o voo.

Essa organização permite excelente controle de temperatura e umidade, fatores essenciais para o desenvolvimento das larvas.

Rainha da abelha Mandaçaia no interior do ninho, cercada por operárias de Melipona quadrifasciata e estruturas de cria.
Rainha da abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) no interior da colônia, cercada por operárias. A rainha apresenta abdômen mais desenvolvido, característica associada à sua função reprodutiva.

Por que a mandaçaia é tão valorizada na meliponicultura?

Existem vários motivos que fazem essa espécie estar entre as preferidas dos criadores brasileiros.

Excelente polinizadora

As mandaçaias visitam diariamente centenas de flores em busca de néctar e pólen. Como consequência, contribuem diretamente para o aumento da frutificação de diversas culturas agrícolas e também de plantas ornamentais.

Grande adaptação às caixas racionais

Quando corretamente instaladas em caixas padrão INPA ou modelos semelhantes, costumam apresentar excelente desenvolvimento.

Mel de alto valor agregado

O mel produzido possui elevado valor comercial devido à baixa oferta e à qualidade sensorial diferenciada.

Embora a produção anual seja relativamente pequena, seu preço costuma compensar essa limitação em muitas situações.

Espécie bastante resistente

Quando recebe manejo adequado, apresenta boa resistência às variações climáticas típicas das regiões onde ocorre naturalmente.

Além disso, colônias saudáveis conseguem manter bom crescimento durante vários anos.


Vale a pena criar mandaçaias?

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre quem deseja iniciar na meliponicultura.

Na maioria dos casos, a resposta é sim. A mandaçaia reúne características que agradam tanto iniciantes quanto criadores experientes.

Ela combina boa rusticidade, comportamento tranquilo, grande importância ecológica e excelente potencial de polinização.

Além disso, observar o funcionamento interno da colônia proporciona uma experiência extremamente educativa para adultos e crianças.

No entanto, como qualquer espécie de abelha sem ferrão, exige planejamento, instalação adequada e manejo correto.


Vantagens da criação de mandaçaias

  • Não possuem ferrão funcional.
  • Excelente espécie para polinização.
  • Mel bastante valorizado.
  • Grande importância para a conservação ambiental.
  • Comportamento organizado e interessante para observação.
  • Boa adaptação às caixas racionais.
  • Pode ser criada em quintais, chácaras e propriedades rurais.
  • Ajuda no aumento da biodiversidade local.

Existem desvantagens?

Apesar de suas inúmeras qualidades, também existem alguns pontos que merecem atenção antes da aquisição da primeira colônia.

  • O investimento inicial costuma ser elevado devido ao valor das colônias.
  • Multiplicam-se mais lentamente do que espécies como a Jataí.
  • Necessitam de boa disponibilidade de flores durante praticamente todo o ano.
  • Podem sofrer ataques de forídeos caso o manejo seja inadequado.
  • Exigem cuidados específicos durante divisões de colônias.

No entanto, quando esses fatores são considerados desde o início, a criação costuma apresentar ótimos resultados e grande satisfação ao meliponicultor.


Quanto custa começar a criar mandaçaias?

Uma das maiores dúvidas dos iniciantes envolve o investimento necessário para iniciar a criação.

Embora os valores variem conforme a região do país e a disponibilidade de colônias legalizadas, normalmente é preciso considerar alguns itens básicos:

  • Colônia de mandaçaia adquirida de criador autorizado;
  • Caixa racional padrão INPA ou compatível;
  • Suporte para elevar a caixa do solo;
  • Cobertura contra sol e chuva;
  • Alimentador para períodos de escassez;
  • Ferramentas básicas para inspeções.

Além disso, é importante reservar um local protegido, com boa ventilação, sombra parcial e disponibilidade constante de flores nas proximidades.


Como escolher o melhor local para instalar uma colônia de mandaçaia

A localização da caixa influencia diretamente o desenvolvimento da colônia. Mesmo uma mandaçaia forte pode apresentar dificuldades caso seja instalada em um ambiente inadequado.

O ideal é escolher um local tranquilo, protegido do vento forte e com boa disponibilidade de flores ao longo do ano. Além disso, evitar mudanças frequentes de posição ajuda as campeiras a memorizar a localização da entrada da colmeia.

Sombra parcial

As mandaçaias preferem locais com incidência de sol apenas nas primeiras horas da manhã. O excesso de calor durante a tarde pode elevar demais a temperatura interna da caixa e prejudicar o desenvolvimento das crias.

Proteção contra chuva

Embora as caixas sejam resistentes, a exposição constante à chuva reduz sua durabilidade e aumenta a umidade interna. Por isso, utilizar um telhado, cobertura ou abrigo prolonga a vida útil da colmeia.

Boa circulação de ar

O ambiente deve possuir ventilação natural, mas sem correntes intensas de vento diretamente sobre a entrada da caixa.

Altura adequada

Recomenda-se instalar a caixa entre 80 centímetros e 1,50 metro do solo. Dessa forma, reduz-se o risco de umidade, ataques de formigas e facilita-se o manejo periódico.


Quais equipamentos são necessários?

A meliponicultura com mandaçaias exige poucos equipamentos quando comparada à apicultura tradicional. Ainda assim, investir em materiais de qualidade facilita o manejo e reduz problemas futuros.

  • Caixa racional padrão INPA ou modelo compatível;
  • Suporte para manter a caixa elevada;
  • Cobertura contra chuva;
  • Alimentador interno ou externo;
  • Espátula de manejo;
  • Fita adesiva para vedação temporária;
  • Pulverizador com água para limpeza quando necessário;
  • Tela de proteção para transporte.

Como as mandaçaias não possuem ferrão funcional, normalmente não é necessário utilizar equipamentos de proteção pesados, embora luvas possam ser úteis durante algumas inspeções.


Como é feito o manejo da mandaçaia?

O manejo deve ser sempre tranquilo e realizado apenas quando houver necessidade. Abrir a caixa com frequência excessiva pode causar estresse à colônia.

Inspeções periódicas

Uma inspeção rápida a cada 30 ou 45 dias costuma ser suficiente para verificar o desenvolvimento da colônia.

Durante a abertura da caixa, observe:

  • Presença de ovos e larvas;
  • Quantidade de discos de cria;
  • Estoque de mel;
  • Reservas de pólen;
  • Sinais de umidade;
  • Ataque de forídeos;
  • Presença da rainha ou evidências de postura.

Além disso, aproveite para remover eventuais resíduos acumulados e verificar se há necessidade de manutenção da caixa.

Evite abrir a caixa em dias frios

Temperaturas baixas dificultam a manutenção da temperatura interna dos discos de cria.

Por isso, sempre que possível realize inspeções durante dias secos e relativamente quentes.


Quando oferecer alimentação suplementar?

Em condições naturais, a mandaçaia obtém todo o alimento diretamente das flores. Entretanto, durante períodos prolongados de escassez floral, alimentação suplementar pode evitar perdas importantes.

Esse reforço alimentar normalmente é indicado:

  • Durante estiagens prolongadas;
  • No inverno em regiões frias;
  • Após divisões de colônias;
  • Quando há baixa florada na região.

No entanto, a suplementação nunca deve substituir a presença de plantas melíferas. Ela deve ser encarada apenas como uma medida temporária.

Além disso, utilizar alimentadores limpos reduz significativamente o risco de contaminações.


Como multiplicar uma colônia de mandaçaia?

Uma das maiores satisfações do meliponicultor é realizar a divisão de uma colônia saudável.

No entanto, a mandaçaia apresenta desenvolvimento mais lento que algumas espécies menores. Por isso, apenas colônias bastante fortes devem ser divididas.

Antes da divisão, recomenda-se verificar:

  • Grande quantidade de discos de cria;
  • Boa reserva de mel;
  • Pólen abundante;
  • Elevado número de operárias;
  • Boa atividade de voo.

Dividir uma colônia fraca costuma resultar em prejuízo para ambas as caixas.

Além disso, o procedimento deve ser realizado preferencialmente em épocas de intensa florada, quando existe maior disponibilidade de alimento.


Principais inimigos da mandaçaia

Forídeos

Os pequenos mosquitos conhecidos como forídeos representam uma das maiores preocupações da meliponicultura.

Quando conseguem invadir uma colônia debilitada, suas larvas podem destruir rapidamente discos de cria e reservas de alimento.

Manter caixas limpas e evitar manejo excessivo reduz bastante esse risco.

Formigas

Formigas podem invadir caixas em busca de mel e pólen.

Utilizar suportes com barreiras físicas ou proteção específica ajuda bastante no controle.

Lagartixas e pequenos predadores

Embora raramente destruam colônias inteiras, podem capturar campeiras durante o pouso próximo à entrada.

Excesso de umidade

Umidade elevada favorece fungos, deterioração da madeira e enfraquecimento geral da colônia.


Erros mais comuns de quem começa a criar mandaçaias

Alguns erros simples podem comprometer meses de desenvolvimento da colônia.

  • Abrir a caixa com frequência exagerada.
  • Instalar a colmeia sob sol intenso durante todo o dia.
  • Comprar colônias de origem desconhecida.
  • Fazer divisões precoces.
  • Não manter flora melífera nas proximidades.
  • Ignorar sinais de ataque de forídeos.
  • Transportar a caixa sem os cuidados adequados.
  • Deixar a colmeia diretamente sobre o solo.

Evitar esses erros aumenta significativamente as chances de sucesso logo nos primeiros anos de criação.


Mandaçaia x Jataí: qual escolher?

CaracterísticaMandaçaiaJataí
TamanhoMaiorMenor
Produção de melMédiaBaixa
Facilidade para iniciantesAltaMuito alta
Velocidade de multiplicaçãoMédiaAlta
Valor comercialElevadoElevado
PolinizaçãoExcelenteExcelente

Ambas são excelentes espécies para criação. A escolha dependerá principalmente do clima da região, dos objetivos do meliponicultor e da disponibilidade de colônias legalizadas.


Para quem a criação de mandaçaias é indicada?

A espécie atende diferentes perfis de criadores.

  • Quem deseja iniciar na meliponicultura.
  • Proprietários de chácaras e sítios.
  • Moradores com quintais arborizados.
  • Produtores interessados em aumentar a polinização.
  • Apaixonados por conservação ambiental.
  • Educadores e projetos de educação ambiental.

Para quem talvez não seja a melhor escolha?

  • Quem procura alta produção de mel.
  • Quem não possui flores disponíveis durante boa parte do ano.
  • Quem não pode realizar inspeções periódicas.
  • Quem pretende multiplicar colônias rapidamente.

O que analisar antes de adquirir sua primeira colônia?

Antes de investir, vale a pena responder algumas perguntas:

  • Existe boa oferta de plantas melíferas próximas?
  • Há um local protegido para instalar a caixa?
  • Você poderá acompanhar a colônia regularmente?
  • O fornecedor é legalizado?
  • A espécie é adequada para sua região?
  • Você possui tempo para aprender o manejo?

Responder a essas questões evita compras impulsivas e aumenta muito as chances de sucesso.


A mandaçaia é uma excelente escolha para quem deseja criar abelhas sem ferrão

A mandaçaia reúne praticamente tudo o que um meliponicultor procura em uma espécie nativa: comportamento tranquilo, grande importância ecológica, excelente capacidade de polinização e um mel extremamente valorizado.

Além disso, sua criação proporciona uma experiência enriquecedora para toda a família, aproximando as pessoas da natureza e contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade brasileira.

Embora exija planejamento, boas práticas de manejo e um ambiente rico em flores, os benefícios compensam amplamente o investimento. Com uma colônia saudável, manejo responsável e aprendizado contínuo, é possível acompanhar por muitos anos o fascinante funcionamento de uma das mais belas abelhas sem ferrão do Brasil.

Fontes e referências

As informações deste guia sobre a abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) podem ser aprofundadas nas seguintes publicações científicas, materiais técnicos e documentos oficiais:

1. Embrapa — Modelos de colmeias racionais para a criação de Mandaçaia (2016)

Publicação técnica sobre modelos de caixas racionais utilizados na criação de Melipona quadrifasciata quadrifasciata, com informações importantes para a meliponicultura.

Consultar publicação da Embrapa

2. Embrapa — Plano de manejo da abelha Mandaçaia para polinização de tomateiros (2024)

Circular Técnica nº 98, com orientações sobre aclimatação, condições ambientais, manutenção das colônias e utilização da Mandaçaia na polinização agrícola.

Consultar publicação da Embrapa

3. Waldschmidt, Barros e Campos — Diferenciação genética entre MQQ e MQA (2000)

Pesquisa publicada na revista Genetics and Molecular Biology, que investiga marcadores moleculares para diferenciar Melipona quadrifasciata quadrifasciata e Melipona quadrifasciata anthidioides, incluindo aspectos relacionados à hibridação.

Consultar artigo científico na SciELO

4. Tavares e colaboradores — Divergência genética entre populações de Mandaçaia (2013)

Estudo publicado na revista Genetics and Molecular Biology, demonstrando que o padrão das faixas amarelas do abdômen, embora útil na identificação, não é suficiente para distinguir com segurança todas as populações e subespécies.

Consultar artigo científico na SciELO

5. CONAMA — Resolução nº 496/2020

Norma federal que disciplina o uso e o manejo sustentável das abelhas nativas sem ferrão na meliponicultura brasileira. Sua aplicação deve considerar também as normas estaduais e demais exigências vigentes.

Consultar resolução no portal oficial do CONAMA

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Rafael - Criar Abelhas
Rafael - Criar Abelhas

Rafael é responsável pelo portal Criar Abelhas, dedicado à meliponicultura, às abelhas nativas sem ferrão e à preservação dos polinizadores. Produz conteúdos educativos sobre identificação de espécies, criação e manejo de colônias, utilizando referências técnicas e registros fotográficos próprios para aproximar os leitores do universo das abelhas.

132 comentários

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  1. Boa tarde !
    Gostaria de saber qual a temperatura máxima externa posso manter minhas caixas de mandaçaia mqq ??

    • Olá Adilson. Se a caixa tiver um bom conforto térmico, elas devem aguentar tranquilamente qualquer temperatura natural desde que não estejam diretamente no sol.

  2. às 08:04
    Bom dia. Gostaria de saber a distancia máxima que uma isca pet pode ser colocada do Ninho na natureza para ter chance dela ser encontrada pelas abelhas em busca de novo ninho.

    • Olá Luiz. Geralmente não nos importamos com distância máxima, pois nada garante de que a enxameação na isca será do ninho que você encontrou. O importante é instalar as iscas em locais propícios para a captura.

  3. Os zangões de mandaçaia nascem em períodos específicos ou o ano todo? comprei três enxames e bateu essa duvida, gostaria de começar as divisões agora no mês de setembro aqui na região sul

  4. Rafael, seu artigo é excelente para mim q estou começando a criar mandaçaia em Curitiba.
    A pessoa que me vendeu a caixa me disse para não abrir a caixa se a temperatura ambiente for inferior a 28 graus centígrados.
    O outono já vai começar e preciso colocar suplementos. Como fazer, já que aqui temperaturas acima de 28 graus não são frequentes?

    • Olá Maria Helena. A informação que te passaram não esta errada, mas sabemos que no outono e inverno não tem essa temperatura no sul. Então, para fazer a alimentação, recomendo abrir a caixa com pelo menos 20 graus, jogo rapido, abre, coloca o alimento, fecha, gerando o menor impacto possível.

  5. Boa noite tem uma planta chamada tumbergia roxa são usadas em cerca viva moro aqui na cidade de São Paulo fiz um cercado com esta planta e apareceu muitas mangava só ela consegue buscar o néctar desta flor é uma dica tá

  6. boa tarde, qual é o ciclo de vida das mandaçaias, da postura a morte e a cronologia dela do nascimento a morte.

  7. Como adquirir Mandaçaia de forma legal sem cometer crime ambiental?

  8. Fiz uma divisão de mandaçaia e coloquei a caixa filha no lugar da mãe e ela foi saqueada ,isso e normal aconteçer.a caixa mãe ficou a100 metros de distancia

  9. Boa tarde, posso dividir um enxame tendo apenas um? Está muito forte o enxame de mqq, ninho, sobre ninho e melgueira, qual a probabilidade de dar certo com apenas um enxame?

    • Olá Luciano. Não recomendo a divisão com apenas uma colônia da espécie. As chances de não dar certo não são pequenas e você não terá outras colônias para recorrer.