A abelha Tubuna (Scaptotrigona bipunctata) é uma abelha nativa sem ferrão conhecida pela formação de colônias muito populosas, intensa atividade de voo e comportamento defensivo marcante. Para quem já possui alguma experiência com meliponicultura, pode ser uma espécie extremamente interessante tanto pela polinização quanto pela produção de mel.

No entanto, criar Tubuna não é exatamente igual a manter espécies mais tranquilas, como Jataí ou algumas Mirins. Apesar de não possuir ferrão funcional, a Tubuna defende a colônia com bastante intensidade, utilizando principalmente mordidas, ataques coletivos e o conhecido comportamento de se prender aos cabelos.
Por isso, antes de adquirir uma colônia, é importante conhecer seu comportamento, escolher corretamente a caixa, avaliar o local do meliponário e entender que uma colônia forte pode exigir manejo mais cuidadoso.
Neste guia, você vai entender como identificar a abelha Tubuna, como é seu ninho, qual caixa utilizar, como alimentar, manejar, multiplicar e quais cuidados são necessários para criar a espécie com segurança.
👉 Se você ainda está começando, veja também nosso guia sobre como começar na meliponicultura.
O que é a Abelha Tubuna?
A Tubuna é uma espécie de abelha nativa sem ferrão pertencente ao gênero Scaptotrigona. Seu nome científico é Scaptotrigona bipunctata.
Como ocorre com vários nomes populares de abelhas brasileiras, a denominação “Tubuna” pode ser utilizada regionalmente para espécies diferentes. Portanto, para uma identificação correta, o nome científico é muito mais seguro do que apenas o nome popular.
A espécie apresenta coloração predominantemente escura, porte médio e colônias vigorosas. Além disso, uma das características mais marcantes é a entrada do ninho, normalmente construída com cerume escuro e formando uma estrutura tubular ou semelhante a uma pequena corneta.
É justamente essa combinação entre entrada característica, grande movimentação de operárias e comportamento defensivo que faz com que uma colônia adulta de Tubuna dificilmente passe despercebida.
Principais características da Abelha Tubuna
- Nome popular: Tubuna
- Nome científico: Scaptotrigona bipunctata
- Gênero: Scaptotrigona
- Grupo: abelhas nativas sem ferrão
- Coloração: predominantemente preta ou escura
- Porte: médio
- Comportamento: bastante defensivo quando a colônia é perturbada
- Ninho natural: principalmente cavidades em troncos e árvores
- Entrada: tubo ou corneta construída com cerume
- Colônia: geralmente bastante populosa
- Criação racional: possível em caixas modulares, inclusive modelo INPA adaptado
- Nível de dificuldade: intermediário
Essas características fazem da Tubuna uma espécie especialmente interessante para meliponicultores que desejam manter colônias vigorosas. Por outro lado, seu perfil comportamental precisa ser considerado antes de instalá-la em locais de circulação intensa de pessoas.

Onde a Abelha Tubuna é encontrada?
A Scaptotrigona bipunctata possui distribuição neotropical e existem registros da espécie em diferentes regiões brasileiras, além de outros países da América do Sul.
No Brasil, sua ocorrência não deve ser resumida somente aos estados do Sul e Sudeste. Há registros da espécie em diferentes áreas do território nacional.
Isso é particularmente importante para quem pretende iniciar a criação. Antes de adquirir ou instalar uma espécie de abelha nativa, deve-se verificar sua ocorrência natural na região e observar as normas aplicáveis à criação, aquisição e movimentação de colônias.
Além da questão legal e ambiental, existe uma razão prática: abelhas criadas dentro de sua área de ocorrência natural tendem a estar melhor adaptadas ao clima, à vegetação e às condições ambientais locais.
Como identificar a Abelha Tubuna?
A identificação de uma abelha sem ferrão apenas pela aparência pode ser difícil, principalmente porque diferentes espécies de Scaptotrigona apresentam características semelhantes.
A Tubuna normalmente apresenta corpo escuro, aspecto robusto e asas levemente escurecidas. Entretanto, observar somente uma operária não é a melhor forma de confirmar a espécie.
Na prática, é interessante analisar o conjunto formado pela aparência das abelhas, arquitetura da entrada, estrutura interna do ninho, localização geográfica e comportamento da colônia.
A entrada da colônia é uma importante pista
As espécies do gênero Scaptotrigona são famosas por construir entradas tubulares com cerume. Na Tubuna, essa estrutura costuma ser bastante evidente e pode assumir formato de tubo ou corneta.
Em uma colônia forte, várias operárias podem permanecer próximas à entrada realizando atividades de guarda e controle de acesso.
No entanto, a entrada do ninho pode variar conforme a colônia, disponibilidade de material, ambiente e estágio de desenvolvimento. Por isso, o formato da entrada sozinho não deve ser utilizado como confirmação definitiva da espécie.
Abelha Tubuna é agressiva?
A Tubuna é considerada uma abelha sem ferrão bastante defensiva. Isso não significa que possua ferrão funcional ou que ofereça o mesmo tipo de risco de uma colônia de Apis mellifera.
A estratégia de defesa é diferente.
Quando a colônia percebe uma ameaça, várias operárias podem sair simultaneamente e atacar o invasor. Elas podem morder a pele, entrar em roupas e se prender aos cabelos.
Esse comportamento explica por que alguns meliponicultores chamam determinadas Scaptotrigonas de abelhas “torce-cabelo”.
Ela ataca pessoas sem motivo?
Normalmente, a intensidade defensiva aumenta quando alguém se aproxima demais da entrada, vibra a caixa ou realiza uma abertura da colônia.
Além disso, colônias diferentes podem apresentar níveis diferentes de defensividade. Uma colônia forte e muito populosa também tende a mobilizar muito mais indivíduos durante uma perturbação.
Portanto, dizer simplesmente que “Tubuna é agressiva” não conta toda a história. O termo mais adequado é defensiva: ela responde de maneira intensa quando percebe ameaça ao ninho.
É possível criar Abelha Tubuna em casa?
Sim, desde que o imóvel ofereça espaço adequado e que a instalação respeite a ocorrência da espécie e a regulamentação aplicável.
No entanto, a Tubuna não seria nossa primeira recomendação para uma pequena sacada ou para um ponto localizado junto a portas, corredores, churrasqueiras e áreas onde crianças brincam.
Como é uma espécie bastante ativa e defensiva, funciona melhor quando sua caixa pode ser instalada em um local protegido e com certa distância da circulação cotidiana.
Onde colocar a caixa?
O ideal é escolher um ponto protegido da chuva direta e do excesso de sol, com boa ventilação e livre acesso para a rota de voo.
A entrada da caixa não deve ficar direcionada para uma passagem muito utilizada.
Além disso, considere que você precisará permanecer em frente ou ao lado da colônia durante as revisões. Portanto, deixe espaço suficiente para realizar o manejo de maneira confortável.
Em um sítio, quintal amplo ou meliponário estruturado, esse planejamento é relativamente simples. Em propriedades pequenas, porém, a posição da caixa faz muita diferença.
Abelha Tubuna é boa para iniciantes?
É possível começar na meliponicultura com Tubuna, mas existem espécies mais fáceis para o primeiro contato.
O principal obstáculo não é a manutenção diária da colônia. O problema aparece durante as revisões, transferências e divisões, quando a defensividade pode dificultar bastante o trabalho de quem ainda não possui experiência.
Uma pessoa que nunca abriu uma colônia pode se assustar com dezenas de abelhas voando ao redor do rosto e acabar realizando movimentos bruscos ou deixando a caixa aberta por mais tempo do que deveria.
Por isso, para um iniciante absoluto, uma espécie mais tranquila e compatível com sua região pode proporcionar aprendizado mais simples.
Por outro lado, quem já compreende a estrutura de um ninho de abelhas sem ferrão e possui experiência básica de manejo pode encontrar na Tubuna uma espécie extremamente interessante.
Como é o ninho da Abelha Tubuna?
Na natureza, a Tubuna utiliza principalmente cavidades existentes em troncos e árvores. Dentro dessa cavidade, a colônia organiza uma estrutura altamente eficiente para reprodução, armazenamento de alimento e proteção.
A área central contém os discos de cria. Ao redor dela são construídas estruturas de proteção e, em outras regiões do ninho, ficam os potes destinados ao armazenamento de mel e pólen.
O tamanho dessa estrutura varia conforme a força e o estágio de desenvolvimento do enxame.

Discos de cria
Os discos concentram as células onde ocorre o desenvolvimento das novas abelhas.
Em colônias fortes, a área de cria pode ocupar uma porção significativa da caixa. Por isso, o espaço interno precisa permitir expansão sem obrigar o meliponicultor a intervir constantemente.
Um erro comum é avaliar a força da colônia apenas pela quantidade de abelhas presentes na tampa. A regularidade dos discos de cria, expansão da postura e atividade externa fornecem uma visão muito mais completa.
Potes de mel e pólen
Como outras abelhas sem ferrão, a Tubuna armazena alimento em potes de cerume.
Mel e pólen exercem funções fundamentais na manutenção da colônia, principalmente durante períodos em que a florada diminui.
Consequentemente, retirar alimento em excesso pode enfraquecer o enxame mesmo quando a colônia aparenta possuir grande população.
Qual é a população de uma colônia de Tubuna?
A Tubuna é conhecida por formar colônias bastante populosas, especialmente quando comparada a diversas outras espécies utilizadas na meliponicultura.
Entretanto, estabelecer um número fixo de indivíduos por colônia pode ser enganoso.
A população varia conforme época do ano, idade da colônia, disponibilidade de alimento, espaço interno, clima e condição da rainha.
Na prática, o criador deve observar a força relativa do enxame, e não tentar determinar se existem exatamente alguns milhares ou dezenas de milhares de indivíduos dentro da caixa.
Uma colônia forte apresenta intensa atividade de campeiras, boa área de cria e reservas suficientes de alimento.
Qual caixa usar para Abelha Tubuna?
A Tubuna pode ser mantida em diferentes modelos de caixas racionais. Entre eles, o modelo modular inspirado na caixa INPA é uma alternativa prática porque permite separar a região de cria das áreas destinadas ao armazenamento de alimento.
Essa modularidade facilita revisões, expansão da colônia e manejo das melgueiras.
Qual o tamanho da caixa para Tubuna?
Como referência prática, caixas utilizadas para Tubuna frequentemente trabalham com dimensão interna próxima de 20 × 20 cm, oferecendo espaço compatível com o desenvolvimento de uma colônia populosa.
Um conjunto pode utilizar módulos de ninho e sobreninho com aproximadamente 8 cm de altura e módulos menores destinados às melgueiras.
No entanto, essas medidas não devem ser tratadas como uma regra universal.
O clima da região, espessura da madeira, força da colônia, modelo de caixa e método de manejo alteram o volume necessário. Além disso, uma caixa grande demais para um enxame pequeno também pode prejudicar a capacidade da colônia de controlar seu ambiente interno.
Portanto, o objetivo não é simplesmente oferecer o maior espaço possível. É fornecer volume compatível com o desenvolvimento da colônia e permitir expansão modular conforme ela cresce.
Qual madeira utilizar?
A madeira precisa proporcionar isolamento térmico razoável e resistência suficiente para suportar exposição prolongada no meliponário.
Independentemente da espécie de madeira utilizada, a caixa deve permanecer protegida da chuva e do sol intenso.
Também é importante verificar encaixes, frestas e deformações. Uma caixa mal vedada dificulta a defesa da colônia e pode facilitar a entrada de inimigos naturais.
Como criar Abelha Tubuna na prática
Depois de instalada em uma caixa adequada, uma colônia saudável de Tubuna não precisa ser aberta constantemente.
Na verdade, um dos princípios mais importantes da boa meliponicultura é manejar somente quando existe uma razão para manejar.
Grande parte das informações sobre o estado da colônia pode ser obtida simplesmente pela observação externa.
Observe a entrada diariamente
A movimentação de campeiras, entrada de pólen, comportamento das guardas e alterações na estrutura do tubo fornecem informações importantes.
Uma queda repentina de atividade merece atenção, principalmente se outras colônias do mesmo meliponário continuam trabalhando normalmente.
Não abra a caixa por curiosidade
Cada abertura modifica temporariamente as condições internas do ninho.
Além disso, pode romper estruturas, derramar potes de alimento e liberar odores capazes de atrair inimigos oportunistas.
Por isso, as inspeções devem responder a uma necessidade concreta.
Para entender melhor quando abrir uma colônia, veja nosso conteúdo sobre manejo de colmeias de abelhas nativas.
Quais equipamentos são necessários?
A criação de uma única colônia de Tubuna não exige grande investimento em equipamentos.
O item mais importante é uma boa caixa racional. Além disso, ferramentas simples utilizadas no manejo podem ser suficientes.
Porém, devido ao comportamento defensivo da Tubuna, proteção para o rosto e a cabeça é especialmente útil.
Um véu de manejo pode melhorar bastante o conforto do meliponicultor e evitar que as abelhas se prendam aos cabelos ou se aproximem excessivamente dos olhos.
Isso também reduz a tendência de realizar movimentos bruscos durante a abertura da caixa.
A Tubuna precisa de alimentação artificial?
Não obrigatoriamente.
Uma colônia forte instalada em ambiente com boa oferta de néctar e pólen deve obter a maior parte de seus recursos diretamente da natureza.
A alimentação suplementar é uma ferramenta de manejo utilizada quando existe necessidade, e não uma obrigação permanente.
Pode ser considerada em situações de escassez prolongada de florada, recuperação de uma divisão, estabelecimento de uma colônia fragilizada ou outras condições específicas.
Evite oferecer alimento por calendário
Determinar que toda Tubuna deve receber determinada quantidade de xarope a cada poucos dias é uma simplificação inadequada.
Uma colônia forte em plena florada pode não precisar de suplementação alguma. Outra, recém-dividida e com poucas reservas, pode necessitar de acompanhamento muito mais cuidadoso.
Além disso, excesso de alimentação pode gerar desperdício e criar problemas dentro da caixa.
Portanto, antes de alimentar, observe as reservas e o desenvolvimento do enxame.
Quais plantas são boas para a Abelha Tubuna?
A sobrevivência de qualquer meliponário depende muito mais do ambiente ao redor das caixas do que muitas pessoas imaginam.
As campeiras necessitam encontrar fontes contínuas de néctar, pólen, resinas e água.
Por isso, um bom projeto de criação deve pensar também na vegetação disponível ao longo do ano.
Árvores nativas, arbustos floríferos, plantas ornamentais adequadas e espécies utilizadas em pomares podem contribuir para formar uma paisagem mais favorável aos polinizadores.
Mais importante do que plantar uma única espécie em grande quantidade é buscar diversidade e diferentes períodos de floração.
Dessa forma, quando uma planta encerra sua florada, outras fontes podem continuar fornecendo recursos.
Como capturar um enxame de Abelha Tubuna?
A instalação voluntária de enxames em iscas de captura é uma das formas utilizadas na meliponicultura para obtenção de novas colônias, desde que realizada de maneira compatível com a legislação e com a ocorrência da espécie.
Essas iscas simulam uma cavidade adequada para que uma nova colônia em processo de enxameação escolha o local espontaneamente.
Garrafas PET protegidas da luz são amplamente utilizadas porque são simples, baratas e fáceis de instalar.
No entanto, o atrativo sozinho não captura uma colônia.
Localização, época de enxameação, presença de matrizes nas proximidades, volume da isca, proteção contra sol e chuva e disponibilidade de recursos no ambiente influenciam muito o resultado.
👉 Veja o passo a passo completo em Como Capturar Abelhas Nativas Sem Ferrão.
Você também pode aprender como fazer atrativo para abelhas e entender qual é sua função real em uma isca.
É possível retirar uma Tubuna de uma árvore?
Encontrar uma colônia dentro de uma árvore não significa que ela deva ser retirada.
Colônias naturais desempenham papel importante na manutenção das populações silvestres e na polinização do ambiente.
Além disso, abrir troncos e retirar ninhos sem necessidade pode causar enorme dano à colônia.
A transferência só deve ser considerada em situações justificadas e dentro das normas aplicáveis, como casos em que o ninho esteja ameaçado por corte autorizado da árvore ou por alguma situação que coloque sua sobrevivência em risco.
Quando realmente for necessária, a operação precisa preservar os discos de cria, a rainha, as reservas e a organização do ninho.
Veja também nosso guia sobre transferência de abelhas nativas sem ferrão.
Como dividir uma colônia de Tubuna?
A divisão é uma técnica utilizada para formar uma nova colônia a partir de um enxame forte.
Entretanto, multiplicar colônias não significa simplesmente repartir todo o conteúdo de uma caixa pela metade.
A colônia doadora precisa possuir desenvolvimento suficiente para suportar a retirada de material sem comprometer sua própria sobrevivência.
Além disso, a nova colônia precisa receber estrutura de cria adequada e condições para estabelecer sua organização.
Quando não dividir
Não é recomendável dividir uma colônia apenas porque ela possui muitas abelhas na entrada.
Evite a multiplicação quando houver pouca cria, reservas insuficientes, escassez intensa de alimento no ambiente ou sinais de enfraquecimento.
Uma divisão realizada no momento errado pode transformar uma colônia forte em duas colônias vulneráveis.
Por isso, qualidade da colônia doadora é mais importante do que pressa para aumentar o número de caixas.
Quanto mel produz uma Abelha Tubuna?
A Tubuna possui interesse produtivo e pode armazenar quantidades interessantes de mel quando mantida em boas condições.
No entanto, não existe um número que possa ser prometido para toda colônia.
A produção varia muito conforme clima, florada, força do enxame, idade da colônia, quantidade de melgueiras, manejo e características da região.
Consequentemente, valores como “X litros por ano” devem ser interpretados apenas como referências de experiências específicas, e não como garantia de produção.
Em um ano favorável, uma colônia madura pode apresentar excelentes reservas. Em outro período, a mesma colônia pode precisar manter praticamente todo o alimento armazenado para seu próprio desenvolvimento.
Quando colher o mel?
A colheita somente deve ocorrer quando houver excedente real.
Retirar reservas essenciais para a sobrevivência do enxame pode gerar enfraquecimento e comprometer a produção futura.
Portanto, primeiro vem a saúde da colônia; depois, a colheita.
Como é o mel da Abelha Tubuna?
O mel produzido por Scaptotrigona bipunctata apresenta características próprias dos méis de abelhas sem ferrão.
De maneira geral, esses méis possuem maior teor de umidade do que o mel tradicional produzido por Apis mellifera. Consequentemente, exigem atenção especial durante a coleta, higiene e armazenamento.
Essa característica também ajuda a explicar sua consistência mais fluida e sua maior sensibilidade a processos de fermentação quando armazenado inadequadamente.
O sabor e o aroma podem mudar significativamente conforme as fontes florais utilizadas pela colônia.
Portanto, duas colônias de Tubuna mantidas em regiões diferentes não necessariamente produzirão mel com o mesmo perfil sensorial.
Quanto custa uma colônia de Abelha Tubuna?
Não existe um preço único.
O valor de uma colônia pode variar conforme região, tamanho do enxame, tipo de caixa, disponibilidade local e origem da colônia.
Por isso, tabelas de preços fixas envelhecem rapidamente e podem levar o leitor a conclusões incorretas.
Mais importante do que encontrar a colônia mais barata é verificar sua procedência e adquirir abelhas dentro das regras aplicáveis.
Uma colônia saudável, bem estabelecida e corretamente identificada possui muito mais valor prático do que uma caixa de origem duvidosa.
Quanto custa começar a criar Tubuna?
Para quem pretende manter somente uma ou poucas colônias, o investimento inicial tende a ser relativamente baixo.
A maior despesa normalmente será a própria colônia e sua caixa racional.
Depois disso, suportes, cobertura contra intempéries, véu de proteção e algumas ferramentas simples completam a estrutura básica.
O custo cresce quando o objetivo é montar um meliponário maior, com várias caixas, cobertura específica, prateleiras e equipamentos destinados à colheita.
Por outro lado, a manutenção cotidiana não depende de aquisição constante de insumos quando o ambiente possui boa oferta natural de alimento.
Nesse sentido, investir em um jardim e em flora melífera pode oferecer um retorno muito maior do que alimentar artificialmente colônias durante todo o ano.
Principais cuidados ao criar Abelha Tubuna
Proteja a caixa do sol e da chuva
Exposição excessiva aumenta o estresse térmico e acelera a deterioração da madeira.
Prefira cobertura adequada e, quando possível, sol suave em determinados períodos do dia em vez de insolação intensa durante toda a tarde.
Evite excesso de abertura
A colônia não precisa ser desmontada para que você saiba se está trabalhando.
Grande parte do acompanhamento pode ser feita externamente.
Observe a oferta de alimento
Um meliponário depende da paisagem ao redor. Se praticamente não existem plantas florindo, aumentar indefinidamente o número de colônias pode intensificar a competição por recursos.
Controle formigas e inimigos naturais
Mantenha o suporte e o entorno das caixas limpos e observe qualquer alteração incomum.
Colônias enfraquecidas são mais vulneráveis a diferentes problemas.
Evite derramar mel e pólen durante o manejo
Além de prejudicar a própria colônia, alimento exposto dentro da caixa pode facilitar problemas sanitários e atrair organismos oportunistas.
Respeite o comportamento defensivo
A Tubuna não precisa ser manejada como se fosse uma espécie extremamente dócil.
Use proteção quando necessário e escolha previamente um local onde a intensidade de defesa não gere conflito com pessoas próximas.
Erros comuns na criação de Tubuna
Instalar a caixa junto a áreas de passagem: é provavelmente um dos erros mais fáceis de evitar. Pense na rota de voo antes de escolher o ponto.
Abrir a colônia constantemente: curiosidade não é uma justificativa de manejo.
Dividir um enxame cedo demais: quantidade de caixas não é sinônimo de qualidade do meliponário.
Retirar excesso de mel: as reservas pertencem primeiro às próprias abelhas.
Alimentar sem avaliar necessidade: alimentação suplementar deve resolver um problema real.
Ignorar a flora local: não existe colônia forte sem recursos disponíveis no ambiente.
Comprar apenas pelo preço: origem, saúde e identificação correta da espécie devem ser consideradas.
Confundir espécies de Scaptotrigona: Canudo, Tubiba, Tubuna e outras espécies podem apresentar semelhanças. O nome popular varia regionalmente e não deve ser utilizado isoladamente para identificação científica.
Tubuna ou Jataí: qual é melhor?
Não existe uma espécie universalmente melhor. Existe aquela mais adequada ao objetivo, espaço, experiência do criador e região.
A Jataí costuma ser mais indicada quando o objetivo é convivência próxima, observação e instalação em ambientes urbanos menores.
A Tubuna, por sua vez, pode formar colônias muito mais impressionantes em termos de movimentação e população, mas exige maior atenção ao posicionamento da caixa e ao manejo.
Portanto, para uma residência pequena e com muita circulação, a Jataí tende a ser mais simples.
Já em um meliponário com espaço apropriado, a Tubuna pode ser uma excelente escolha.
Tubuna ou Canudo: são a mesma abelha?
Não necessariamente.
A Tubuna tratada neste artigo é Scaptotrigona bipunctata, enquanto a espécie normalmente chamada de Canudo é Scaptotrigona depilis.
Ambas pertencem ao mesmo gênero e, consequentemente, apresentam algumas semelhanças de aparência, arquitetura de ninho e comportamento.
Essa proximidade é justamente um dos motivos pelos quais identificações feitas somente por fotografias ou nomes populares podem gerar confusão.
Se houver dúvida, considere origem geográfica, características morfológicas e arquitetura da colônia antes de concluir a identificação.
Vantagens de criar Abelha Tubuna
A Tubuna possui várias características que despertam interesse na meliponicultura.
- Forma colônias fortes e muito ativas;
- possui grande interesse para observação e educação ambiental;
- atua na polinização da vegetação ao redor;
- pode apresentar bom armazenamento de mel em ambientes favoráveis;
- adapta-se à criação racional quando manejada corretamente;
- permite expansão por módulos em caixas adequadas;
- é uma espécie extremamente interessante para meliponicultores que já possuem alguma experiência.
Desvantagens e dificuldades
O principal ponto negativo para algumas pessoas é a defensividade.
Durante uma revisão, uma colônia forte pode mobilizar grande quantidade de operárias, dificultando o manejo para quem não está acostumado.
Além disso, justamente por formar colônias vigorosas, precisa de espaço compatível e boa disponibilidade de alimento na paisagem.
Outro ponto é que não se deve escolher Tubuna apenas pela expectativa de produção de mel. A produção é variável e depende muito das condições ambientais.
Portanto, quem busca uma abelha extremamente tranquila para observar muito próximo de casa pode encontrar opções mais adequadas.
Para quem vale a pena criar Tubuna?
A espécie faz bastante sentido para quem possui quintal, sítio ou meliponário com espaço para posicionar a caixa longe das principais áreas de circulação.
Também é interessante para meliponicultores que já dominam operações básicas, como abertura, inspeção, alimentação eventual, transferência e avaliação da força de uma colônia.
Para quem busca observar uma colônia extremamente ativa, trabalhar com polinização e desenvolver gradualmente um meliponário mais diversificado, a Tubuna pode ser uma ótima escolha.
Para quem a Tubuna pode não ser a melhor escolha?
Quem mora em local muito pequeno, não possui uma área protegida para a caixa ou precisa instalar a colônia diretamente ao lado de uma passagem pode ter dificuldades.
Da mesma forma, pessoas que têm receio de abelhas voando ao redor do rosto durante o manejo provavelmente se adaptarão melhor começando com uma espécie mais tranquila.
Também não faz sentido adquirir uma Tubuna quando a espécie não é compatível com a região ou quando não há condições adequadas para sua manutenção.
O que analisar antes de comprar uma colônia de Tubuna?
Primeiro, confirme a identificação e a procedência do enxame.
Depois, avalie se existe espaço apropriado para instalação e se a flora próxima é capaz de sustentar a colônia.
Observe também o estado da caixa, movimentação das operárias e, quando possível, histórico do enxame.
Não tome a decisão apenas com base na quantidade aparente de abelhas na entrada.
Por fim, planeje onde a colônia ficará antes de levá-la para casa. Mudar caixas repetidamente depois da instalação cria uma dificuldade que poderia ter sido evitada.
Perguntas frequentes sobre Abelha Tubuna
Abelha Tubuna tem ferrão?
A Tubuna pertence ao grupo das abelhas sem ferrão e não utiliza ferrão funcional como mecanismo de defesa.
Abelha Tubuna morde?
Sim. Quando a colônia é ameaçada, as operárias podem morder e se prender aos cabelos e às roupas.
A Tubuna pode ser criada na cidade?
Pode, desde que exista espaço adequado, compatibilidade regional e uma posição de caixa que não direcione a movimentação das abelhas para áreas de circulação intensa.
Qual é a caixa indicada para Tubuna?
Caixas modulares são bastante práticas. O modelo INPA adaptado à espécie é uma das alternativas utilizadas na criação racional.
Qual é o tamanho de caixa para Tubuna?
Como referência prática, podem ser utilizados módulos com dimensões internas próximas de 20 × 20 cm, ajustando volume, altura e quantidade de módulos conforme desenvolvimento do enxame e condições regionais.
A Tubuna produz muito mel?
Colônias fortes podem armazenar boas quantidades, mas a produção varia muito conforme florada, clima, força do enxame e manejo. Portanto, não existe uma produção anual garantida.
A Tubuna precisa receber xarope?
Não obrigatoriamente. Alimentação artificial deve ser utilizada quando existe necessidade, como períodos de escassez ou recuperação de colônias debilitadas.
Posso capturar Tubuna com garrafa PET?
Iscas PET são utilizadas para capturas passivas durante a enxameação. Entretanto, o método deve respeitar a legislação e a ocorrência natural da espécie na região.
Tubuna e Canudo são iguais?
Não. A Tubuna abordada neste guia é Scaptotrigona bipunctata, enquanto a Canudo é normalmente identificada como Scaptotrigona depilis.
A Tubuna é indicada para iniciantes?
Pode ser criada por iniciantes, mas sua defensividade torna o manejo mais exigente. Quem nunca trabalhou com abelhas sem ferrão pode aprender com mais facilidade utilizando inicialmente uma espécie mais tranquila.
Vale a pena criar Abelha Tubuna?
Sim, principalmente para quem possui espaço adequado e já compreende os fundamentos da meliponicultura.
A Tubuna reúne características muito interessantes: colônias vigorosas, atividade intensa, importância ecológica e potencial para armazenamento de mel. Além disso, observar uma colônia forte trabalhando é uma excelente forma de perceber a complexidade das abelhas nativas brasileiras.
No entanto, seu comportamento defensivo não deve ser ignorado. Escolher corretamente o local da caixa e aprender a realizar manejos objetivos faz toda a diferença.
Também não é necessário abrir constantemente a colônia nem alimentar por rotina. Um bom meliponicultor aprende primeiro a observar e somente depois decide se uma intervenção realmente é necessária.
Se você pretende criar Tubuna, comece pela base: confirme se a espécie é adequada para sua região, escolha uma caixa racional compatível, instale-a em um local protegido e invista na disponibilidade de flores ao redor do meliponário.
Com ambiente adequado e manejo responsável, a Scaptotrigona bipunctata pode se tornar uma das colônias mais ativas e interessantes do seu meliponário.

Olá!
Estou no noroeste de MG, Unaí.
Gostaria de saber qual a melhor época do ano para a “captura” das scaptotrigona bipunctata e postica. Temos na nossa fazenda e gostaria de fazer uma criação para fins comercial.
Olá Fernando. As capturas se iniciam na primavera e podem ocorrer até o final do verão. Recomendo começar a armar as iscas por Agosto / Setembro.
Ótima explicação faleu mesmo. 10
Boa noite
Tenho três canudos e tenho vontade de adquirir uma tubuna mas dizem que elas tem chance de ibridarem. Isso pode acontecer mesmo?
Olá Nilson. Existe a possibilidade sim.
Gostei das informações, gostaria de saber como adquirir essas abelhas
Convém acrescentar o estado de Santa Catarina, como local onde são encontradas as Tubunas.
Houve um lapso, entre Paraná e Rio grande do Sul.
Obrigado Jairo.
Bom dia, qual o registro do tubo de entrada mais comprido que vcs tem conhecimento? Tenho uma tubuna com 36 cm de entrada, percebi que é um pouco exagerado para a espécie.
Olá Cherlon. Não tenho esse dado, mas a sua me parece bastante fora do normal.
Ótimas explicações….gostaria de saber se posso comprar uma colonia de tubunas em Belo Horizonte e criar no centro-oeste de mato grosso do sul……elas podem se estabelecer aqui??????
Olá Eloene. Você deve verificar a legislação do seu estado.
Parabéns pelo site, muito didático e muito esclarecedor. Moro na Serra da Cantareira em SP e estou começando a criar abelhas sem ferrão.
boa tarde. tenho mandaçaia e posso colocar perto as tubuna qual a distancia e tenho jatai também posso por entre meio das jatai , digo elas estao 3m uma da outra e colocaria a tubuna no meio posso?
Olá Adilson. Não te recomendo misturar as espécies. Mandaçaia com Tubuna até vai… mas deixe sempre longe das Jataís.
comprei um enxame de tubuna em caixa modulo único com 24cm de altura . quando os discos de cima estavam maduro tirei 2 discos com realeira e dividi … deu certo. quando os discos da caixa mãe estiverem maduros em cima outra vez (talvez 40 ou 45 dias) …. já posso dividir de novo ou tenho de esperar outro ciclo completo ?
Olá Carlos. Vai depender da força que estiver a colônia, se você julgar que seja possível, você faz, se não espere o próximo ciclo.