Monitoramento de Colônias

Monitoramento de colônias de abelhas – Saiba qual a freqüência e procedimentos com que se deve examinar uma colônia de abelhas para avaliar seu desenvolvimento.

Monitoramento de colônias de abelhas – Uma dúvida corriqueira entre os meliponicultores diz respeito à freqüência com que se deve examinar uma colônia para avaliar seu desenvolvimento.

Não existe uma regra, isso depende da espécie criada, dos objetivos da criação, da época do ano e, principalmente, da disponibilidade de tempo do criador.

Existem meliponicultores que hesitam muito em abrir as caixas para observar as estruturas internas da colônia, receosos com os danos que a exposição do ninho pode causar.

Essa preocupação é desnecessária, o uso de uma caixa apropriada e o cuidado no manuseio garantem a sobrevivência da colônia e a possibilidade do criador interagir com o desenvolvimento de suas abelhas.

Colônias que separam o espaço do ninho e o espaço do alimento, por exemplo, possibilitam uma maior frequência de avaliações.

Ao abrir apenas o espaço da melgueira, a exposição do ninho e a consequente troca de temperatura com o ambiente exterior são minimizadas.

A seguir, serão apresentadas as principais atividades que o meliponicultor pode, ou deve, realizar no dia-a-dia de manejo das colônias.

Alimentação complementar – Monitoramento de colônias de abelhas

Alimentar colônias de abelhas não tem o mesmo significado de sobrevivência aplicável à criação de outros animais, os quais dependem de ração, capim, frutas, etc., quando domesticados e confinados.

Uma vez que as campeiras são livres para ir e vir, e produzir o próprio alimento, considera-se que a criação de abelhas é uma semi-domesticação.

Por conta disso, a alimentação induzida às colônias de abelhas é tratada como “alimentação complementar”.

Seu principal objetivo é dar suporte ao desenvolvimento das colônias.

Ao receberem uma fonte alternativa de alimento, as operárias economizam a energia que gastariam para coletar néctar no campo, podendo, assim, apoiar outras atividades essenciais, como defesa, limpeza, organização e suporte às atividades de postura da rainha.

A alimentação complementar não é obrigatória, pois como já foi dito, as abelhas não dependem dela para sobreviver.

Entretanto, a maior parte dos meliponicultores modernos são adeptos à sua utilização, uma vez que os resultados obtidos, principalmente com vistas à produtividade, são muito positivos.

A alimentação complementar deve ser aplicada principalmente nas épocas de entressafra, ou seja, nos períodos do ano em que a disponibilidade de flores na natureza (florada) é pequena.

O período de entressafra varia de acordo com a região e, portanto, seu conhecimento deve ser buscado com criadores de abelhas experientes ou observação das plantas e colônias ao longo do ano.

O produto mais utilizado para alimentar meliponíneos é um tipo de xarope de açúcar, ou seja, um “substituto” do mel, fonte de carboidratos – energia – para as abelhas.

Meliponicultores e cientistas têm pesquisado alternativas de alimentação protéica equivalentes ao pólen. Entretanto, ainda não existem receitas consagradas, e o uso na meliponicultura, de forma geral, não é difundido.

Seguindo a mesma proporção da receita, o meliponicultor prepara a quantidade de xarope que quiser, de acordo com a necessidade de suas abelhas.

O preparo é simples: basta misturar os ingredientes e agitar até dissolver. A água pode ser aquecida, o que facilita a dissolução do açúcar.

Alimentação Complementar para Abelhas - Xarope
Alimentação Complementar para Abelhas – Xarope

Os tipos de açúcar mais apropriados para o preparo do xarope são o cristal ou o demerara – um tipo cristalizado de coloração escura, amarronzada.

O açúcar refinado possui muitos  produtos químicos e deve ser evitado. O açúcar mascavo é difícil de ser dissolvido e geralmente possui algumas partículas insolúveis que não são aproveitadas pelas abelhas.

O xarope deve ser introduzido nas colônias com alimentadores específicos. Existem vários modelos para esta finalidade.

O modelo aqui indicado é recomendado por ser barato e acessível: trata-se de um simples recipiente plástico, com tamanho compatível ao espaço da colônia, variando de 100 a 300 mililitros.

É importante que o recipiente seja de um plástico grosso, o que impede que seja destruído pelas mandíbulas das abelhas.

No interior de cada recipiente devem ser colocados pedaços de palito de picolé, cera, ou cerume, o que evita que as abelhas se afoguem no alimento.

Como podemos observar nas fotos, a melgueira não é apenas o módulo reservado para o estoque de mel, mas também um espaço útil para a aplicação da alimentação complementar.

Basta levantar a tampa e realizar a alimentação, não expondo o ninho ao ambiente externo. Dependendo da intensidade da alimentação, o xarope é armazenado pelas abelhas em potes de cerume.

Caso fique muito cheia, outra melgueira vazia deve ser introduzida, evitando que o espaço cheio de alimento seja exposto com as frequentes alimentações.

Alimentação Complementar para Abelhas - Xarope na melgueira
Alimentação Complementar para Abelhas – Xarope na melgueira

É importante destacar que o meliponicultor focado na produção de mel não deve alimentar suas colônias na época da florada, pois o xarope armazenado altera as características naturais do mel que vai ser colhido.

Recomenda-se que um mês antes do início da florada a alimentação seja suspendida.

O meliponicultor focado exclusivamente na produção de colônias, entretanto, pode alimentar suas colônias o ano todo, já que o mel não vai ser comercializado e o número de divisões possíveis de serem realizadas ao longo do ano pode ser maior com o apoio da alimentação.

Qual a quantidade e a frequência certa para aplicação do xarope? – Monitoramento de colônias de abelhas

Não existe uma fórmula exata. Depende do grau de desenvolvimento da colônia alimentada e, principalmente, da disponibilidade de tempo do meliponicultor. Colônias muito populosas podem receber mais alimento, enquanto colônias fracas devem receber menos.

O ideal é que cada caixa receba uma quantidade de alimento que as abelhas sejam capazes de consumir em no máximo 1 dia. Isso evita que o xarope fermente dentro da colônia.

Com tempo e experiência o meliponicultor aprende a dosar a quantidade certa.

Uma boa quantidade para começar é 200ml. A freqüência de alimentações depende dos mesmos fatores. Existem colônias que podem, tranquilamente, ser alimentadas diariamente.

Mas dificilmente um meliponicultor tem tempo de fazer este trabalho todos os dias.

Alimentar uma vez por semana é uma ótima frequência. Mas não se preocupe se uma semana passar, sempre que tiver tempo para alimentar, o xarope será muito bem vindo!

RESUMINDO: – Monitoramento de colônias de abelhas

200ml, uma vez por semana é uma ótima pedida.

Monitoramento do ninho

Diferente da alimentação complementar, que pode ser semanal ou até mesmo diária, o monitoramento dos ninhos pode e deve ser realizado em uma frequência menor.

Observações quinzenais, ou até mensais, são mais do que suficientes.

É durante a avaliação dos ninhos que o meliponicultor se relaciona diretamente com suas colônias, verifica o tamanho da população de abelhas, o número e o tamanho dos favos de cria e a saúde do trabalho da rainha.

Com base na avaliação dos ninhos, o meliponicultor pode chegar à conclusão, por exemplo, de que uma colônia fraca deve ser alimentada.

Ou então decidir que uma colônia forte está no ponto de ser dividida.

Durante o monitoramento das colônias, tanto na avaliação dos ninhos como na alimentação complementar, o meliponicultor deve estar sempre atento a possíveis ataques de inimigos naturais, tema que será tratado no próximo item.

Monitoramento de colônias de abelhas

fonte: Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão

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