Introdução sobre Abelhas Nativas sem Ferrão

O conhecimento sobre as abelhas sem ferrão e a meliponicultura nas Américas é muito antigo quando comparado com as atividades envolvendo, nesse continente, as abelhas Apis mellifera (popularmente conhecidas como européias, italianas ou africanas).

Há muito tempo, povos indígenas de diversos territórios se relacionam com os meliponíneos de muitas formas, seja estudando-os, criando-os de forma rústica ou explorando-os de forma predatória.

Antes da chegada da abelha Apis mellifera no continente americano, ou da exploração da cana para fabricação de açúcar, o mel das abelhas nativas caracterizava-se como principal adoçante natural, fonte de energia indispensável em longas caçadas e caminhadas que esses povos realizavam na busca por alimento.

Muito do conhecimento tradicional acumulado pela população nativa foi gradativamente assimilado pelas diferentes sociedades pós-colonização, tornando a domesticação das abelhas sem ferrão uma tradição popular que se difundiu principalmente nas regiões norte e nordeste do Brasil.

A herança indígena presente na atual lida com as abelhas é evidenciada pelos nomes populares de muitas espécies, como Jataí, Uruçu, Tiúba, Mombuca, Irapuá, Tataíra, Jandaíra, Guarupu, Manduri e tantas outras.

A diversidade de saberes e práticas aplicadas na meliponicultura atual é diretamente proporcional à diversidade de abelhas, culturas e ambientes onde a atividade se manifesta.

Inspirado nesta diversidade, este site não pretende defender uma forma única e padronizada de manejar as abelhas, mas sim apresentar aos que desejam se aventurar na meliponicultura uma variedade de técnicas que têm sido utilizadas com sucesso no Brasil.

fonte: Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão

Divisão de trabalho

Divisão de trabalho – As abelhas operárias são a grande força de trabalho da colônia. O trabalho obedece a uma sequência, ao longo dos seus 50 dias de vida.

Divisão de trabalho das abelhas sem ferrão – Como vimos anteriormente, as abelhas operárias são a grande força de trabalho de uma colônia. O tipo de trabalho realizado obedece a uma sequência, variando de acordo com a idade da abelha ao longo dos seus 50/55 dias de vida.

Sendo assim, geralmente todos os indivíduos realizam todos os tipos de atividades, organizadas na seguinte ordem:

1. Nas primeiras horas após o nascimento, as abelhas realizam a limpeza corporal e permanecem sobre os favos de cria produzindo cera, secretada por glândulas específicas em forma de pequenas placas brancas;

2. Nos primeiros dias, cuidam da cria manipulando cera: raspam as células de pré-pupa, constroem células de cria e auxiliam as atividades de postura da rainha;

3. A partir do primeiro terço de vida, passam a exercer atividades como limpeza e manipulação de alimento, mas não deixam de realizar outras funções que vinham exercendo;

4. É somente na segunda metade da vida, ou seja, após o 25 dia, que passam a exercer atividades no ambiente exterior. Nessa fase, as operárias também são chamadas de campeiras. Saem para o campo em busca de pólen, néctar, barro, resina (própolis) e água. Geralmente, antes da fase de campeiras, alguns indivíduos da mesma idade fazem a guarda da entrada e do túnel de ingresso, defendendo a colônia. Nessa função, são chamados de sentinelas.

Fique atento!

Reconhecer a diferença entre “cria verde” e “cria madura” é fundamental para entender as técnicas de divisão de colônias.

A diferença deve ser notada pela cor dos favos. A cria verde geralmente é mais escura, da mesma cor do cerume que reveste o favo. A cria madura é mais clara e amarelada, da cor do tecido que forma o casulo. As fotos abaixo ilustram a diferença de favos verdes e maduros da abelha canudo (Scaptotrigona sp.). Reconhecer essas diferenças é fundamental para entender as técnicas de divisão de colônias.

Cria Verde
Cria Madura

Reprodução, enxameagem e ciclo de vida

Reprodução, enxameagem e ciclo de vida – Processo pelo qual as colônias de abelhas sem ferrão se reproduzem. Todos os detalhes do ciclo de vida das abelhas.

Reprodução, enxameagem e ciclo de vida – A enxameagem é o processo pelo qual as colônias de abelhas sem ferrão se reproduzem. É importante destacar que o processo está relacionado à reprodução da colônia como um todo, não de uma única abelha.

Geralmente ocorre por conta da superpopulação da colônia, e está associado a um contexto de generosa oferta de alimento (pólen e néctar) no ambiente.

A enxameagem tem início quando algumas abelhas operárias deixam a “colônia-mãe” para buscar um lugar adequado para a construção de um novo ninho.

A matéria-prima para a construção da nova moradia é retirada da colônia original e, assim, “colônia-mãe” e “colônia-filha” permanecem vinculadas por algumas semanas.

Concluída a organização da nova moradia, parte das abelhas operárias e uma rainha virgem migram para o local. A rainha virgem é fecundada por um macho – geralmente de outra colônia – em um ritual conhecido como “vôo nupcial”.

Uma vez fecundada, a rainha – agora poedeira – retorna ao ninho, estabelecendo a rotina biológica de uma colônia estabelecida.

Enxamagem das abelhas sem ferrão

A atividade de postura da rainha dá vida a todas as abelhas existentes em uma colônia. O processo de nascimento de uma abelha é iniciado com a construção das células e favos de cria, passando, a seguir, pelos seguintes passos:

Processo de nascimento de uma abelha

No vocabulário dos meliponicultores, os favos de cria na fase de ovo até pré-pupa são chamados de “cria verde” ou “postura”, enquanto os favos na fase de pré-pupa até abelha adulta são chamados de “cria madura” ou “cria nascente”.

O processo de desenvolvimento de uma abelha sem ferrão, desde o ovo até a abelha adulta, dura aproximadamente 40/45 dias, variando de espécie para espécie. Este período costuma ser um pouco mais longo para os machos e pouco mais curto para as rainhas virgens.

Após sair das células (emersão), operárias e rainhas virgens vivem em média 50/55 dias. As rainhas, entretanto, depois de tornarem-se rainhas poedeiras, vivem de um a três anos.

Arquitetura dos ninhos

Arquitetura dos ninhos é constituída por dois elementos principais,o ninho e os potes de alimento. Cada espécie projeta seu ninho com suas características.

Arquitetura dos ninhos – São variados os locais onde os meliponíneos instalam suas colônias. Algumas espécies podem nidificar em cavidades no solo, em cupinzeiros ou formigueiros(abandonados ou ativos), em ninhos de pássaros desativados ou cavidades de construções feitas pelo Homem.

Colônia de Jandaíra instalada em tronco de árvore
Entradas de colônias de canudo

Outras constroem ninhos expostos ou semi-expostos em galhos de árvores ou fendas em rochas. Entretanto, a maior parte das espécies constrói seus ninhos em cavidades de troncos de árvores vivas, de espécies e dimensões diversificadas.

Arquitetura dos ninhos – Uma colônia de abelhas sem ferrão é constituída por dois elementos principais:

o ninho e os potes de alimento; além de estruturas auxiliares, como o invólucro, o batume, a entrada e o túnel de ingresso.

Os potes de alimento geralmente são elipsóides (em formato de ovo), construídos de cerume, e podem apresentar tamanhos variados conforme a espécie. Pólen e mel são armazenados separadamente. Portanto, em uma colônia de abelhas sem ferrão, podemos encontrar dois tipos de potes de alimento: potes de pólen e potes de mel.

Potes de pólen
Pólen coletado para consumo
Alguns tipos de potes de mel
Potes de mel

A estrutura do ninho das abelhas sem ferrão é constituída de cerume e possui características diferentes conforme a espécie. Pode ser formada por células agrupadas, formando favos horizontais, ou em cachos, quando as células são esparsas e conectadas entre si por pequenos pilares de cerume.

Células de cria agrupadas em favos Os favos e os cachos são formados pelo conjunto das células de cria. Em cada célula de cria a rainha deposita um ovo que dá origem a uma nova abelha.

Os ovos são alojados nessas células com uma porção de alimento (mistura de mel, pólen e secreções das operárias) suficiente para a alimentação durante todo o período de desenvolvimento.

Depois de nascer, as abelhas se alimentam predominantemente de mel.

Para auxiliar a manutenção da temperatura do ninho, as operárias produzem lâminas de cerume, chamadas de invólucro. Como o nome diz, ele envolve o ninho, funcionando como um tipo de cobertor. Essas lâminas também auxiliam o trânsito das abelhas ao redor do ninho.

Células de cria agrupadas em favos
Células de cria unidas por pilares formando um cacho

Uma colônia de abelhas sem ferrão é conectada com o ambiente exterior por meio de uma “porta” de entrada.

Diversamente associada a mecanismos de proteção e orientação das abelhas, a entrada pode ser construída com geoprópolis, barro ou cera.

Sua aparência é específica para cada tipo de abelha e, portanto, apresenta-se na natureza em variadas formas, diretamente proporcionais à diversidade de espécies existentes.

A entrada é conectada ao interior da colônia por um túnel de ingresso, geralmente ligado ao ninho através do invólucro. Trata-se de um corredor repleto de abelhas guarda.

Se algum inimigo natural conseguir passar pelas sentinelas da entrada, precisa enfrentar outro forte sistema de defesa antes de conquistar o ninho e os potes de alimento.

Entradas de colônias de abelhas sem ferrão

Os batumes são estruturas que delimitam o espaço da colônia em uma cavidade. O batume dos Trigonini costuma ser de cerume, geralmente constituído com uma grande quantidade de própolis.

O batume dos Meliponini é construído com geoprópolis. Em ambos os casos, o batume superior costuma ser muito compacto para evitar a infiltração de água, enquanto o inferior é crivado, ou seja, possui inúmeros orifícios que permitem o escoamento da água em caso de infiltração.

Os orifícios também auxiliam na ventilação da colônia.

A figura a seguir ilustra as estruturas básicas de uma colônia com as características da maior parte das espécies existentes e/ou criadas: habitar cavidades de árvores e ter o ninho formado por favos compactos, horizontais e sobrepostos.

Arquitetura dos ninhos – Aspecto geral de uma colônia de abelhas sem ferrão em ambiente natural

Materiais de construção

Materiais de Construção – Uma colônia de abelhas é construída com diversos materiais, retirados da natureza e produzidos ou processados dentro da colônia.

Materiais de construção – Uma colônia de abelhas sem ferrão é construída com diversos materiais. Alguns deles são retirados da natureza – como o barro e o própolis – e outros são produzidos ou processados dentro da colônia, como a cera, o cerume e o geoprópolis.

A maior parte das estruturas internas de uma colônia é construída com cerume, material formado pela mistura da cera branca (pura) com o própolis. Sua cor pode variar de um amarelo bem claro a uma cor quase negra, de acordo com a quantidade e a qualidade do própolis utilizado na mistura.

Entrada de colônia da abelha Cupira construída com barro

fonte: Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão

Tipos de Abelhas

Tipos de abelhas – Existem três tipos básicos de indivíduos: as rainhas (poedeiras ou virgens) e as operárias – ambas fêmeas – e os machos.

Tipos de abelhas – Existem mais de 20 mil espécies de abelhas pelo Mundo. Essas espécies são divididas em famílias de acordo com características semelhantes e maior ou menor proximidade evolutiva.

Tipos de Abelhas

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As famílias Stenotritidae, Oxaeidae, Melittidae, Ctenoplectridae e Fideliidae apenas contém espécies de abelhas solitárias. Nas famílias Colletidae, Andrenidae, Halictidae, Anthophoridae e Megachilidae também predominam as espécies solitárias, mas todas possuem algumas espécies que apresentam algum grau de sociabilidade. A família Apidae é a única que consiste primariamente de tipos de abelhas sociais.

Família Apidae

As abelhas sociais mais populares no Brasil são as abelhas Apis Mellifera e as Abelhas Nativas sem ferrão.

Existem diversos tipos de abelhas brasileiras, em nosso catálogo de espécies de abelhas nativas podem ser encontrados os principais tipos de abelhas nativas criadas no Brasil.

Existem nas colônias das abelhas sociais três tipos de abelhas básicos: as rainhas (poedeiras ou virgens) e as operárias – ambas fêmeas – e os machos.

Tipos de Abelhas  – Abelhas Rainha

As rainhas poedeiras realizam a postura dos ovos que dão origem a todos os tipos de abelhas. São também responsáveis pela organização da colônia, comandada por um complexo sistema de comunicação baseado no uso de feromônios.

Normalmente uma colônia possui apenas uma rainha poedeira. Existem algumas espécies de abelhas nativas sem ferrão que são observadas a existência de duas rainhas ou mais.

Rainha de abelha Uruçu-Nordestina

Rainha da abelha Jandaíra

Tipos de Abelhas – Formação das Rainhas de Abelhas Apis Mellifera

As abelhas Apis Mellifera constroem células reais quando o enxame se encontra sem uma rainha. Esse processo pode ser causado pelo envelhecimento da rainha que necessita ser substituída. Ou também pelo processo de enxameação, onde a rainha sai da colmeia para formar um novo enxame. Assim ao notarem a falta de uma rainha, as abelhas operárias constroem células reais para o desenvolvimento de uma nova rainha para a colonia.

Realeiras Apis Mellifera

Tipos de Abelhas – Formação das Rainhas de Abelhas Nativas

Entre as diferentes espécies de abelhas nativas, inclusive da mesma tribo, também há pequenas variações. Entretanto, existe um parâmetro básico que define a formação de rainhas e determina a principal diferença entre os grupos Meliponini e Trigonini.

Nas espécies da tribo Meliponini, não há construção de células reais. Todas as células de cria são iguais. A determinação do número de rainhas que nasce, entre todos os ovos disponíveis, é definida por uma proporção genética. As rainhas virgens são poedeiras em potencial e estão sempre disponíveis nas colônias para uma eventual substituição da rainha poedeira em caso de morte ou enxameagem. Podem chegar a representar 25% dos indivíduos de uma colônia.

Já as abelhas da tribo Trigonini constroem células reais, que possuem tamanho bem maior que as células comuns. Por conta deste tamanho, as larvas que se desenvolvem nesse tipo de célula recebem mais alimento, o que determina a formação de uma nova rainha virgem.

Diferença entre Trigonas e Meliponas – Trigonas – Célula Real

Essa diferença deve ser assimilada pelo meliponicultor principalmente na aplicação dos métodos de divisão artificial de colônias.

Tipos de Abelhas – Machos

Os machos são indivíduos reprodutores e vivem basicamente para acasalar com rainhas virgens. Entretanto, diferentemente das abelhas Apis Mellifera, os machos de abelhas sem ferrão podem realizar alguns pequenos trabalhos, como a desidratação de néctar e a manipulação de cera.

Tipos de Abelhas – Operárias

As operárias são responsáveis pela grande força de trabalho da colônia. Elas cuidam da defesa, manipulam os materiais de construção, coletam e processam o alimento. Representam a maior parte das abelhas de uma colônia, podendo chegar a mais de 80% dos indivíduos.

Operárias de Uruçu-Nordestina

Biologia

Biologia

Entender um pouco da biologia das abelhas é fundamental para orientar sua criação. A seguir serão apresentadas características gerais desses insetos, em especial os elementos que o meliponicultor encontra quando abre as suas colmeias e deve saber lidar para o bom manejo do dia-a-dia.

Classificação e Distribuição

As abelhas sem ferrão são insetos sociais de grande diversidade e ampla distribuição geográfica. Nas últimas décadas, diversas propostas de classificação zoológica destas abelhas foram propostas.

A classificação utilizada aqui(que não adota uma linguagem estritamente científica), embora não seja a mais atualizada, é a mais didática, e separa essas abelhas em dois grupos distintos: os Meliponini e os Trigonini. Essa separação é importante para o entendimento de características específicas do manejo que serão apresentadas mais adiante.

As abelhas sem ferrão, ou meliponíneos, ocorrem em grande parte das regiões tropicais da Terra, ocupando praticamente toda a América Latina e África, além do sudeste asiático e norte da Austrália.

Entretanto, é nas Américas que grande parte da diversidade de espécies ocorre – são aproximadamente 400 tipos descritos, conforme catalogação recente – e que a cultura de criação destes insetos se manifesta de forma mais intensa.

Classificação Abelhas Nativas

fonte: Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão

Importância das Abelhas Nativas

A importância das abelhas nativas vai além da produção de mel. Abelhas produzem cera, própolis e polinizam as plantas que é essencial para o mundo.

A importância das abelhas nativas – Entre os insetos, existem dois grupos que ocupam uma posição destacada de valor econômico para o homem: o bicho-da-seda, por produzir uma fibra de alto valor comercial, e as abelhas pelo mel. Apesar de serem predominantemente conhecidas como produtoras de mel, as abelhas também fornecem cera, própolis, pólen, geleia real, entre outros, e podem ser criadas para a exploração destes produtos.

Economicamente, não são importantes somente pelos produtos que nos fornecem. Estima-se que um terço da alimentação humana dependa direta ou indiretamente da polinização realizada por abelhas.

Podemos ver nesta imagem a grande importância das abelhas em sem trabalho diário de polinização.

A importância das Abelhas – Polinização

POLINIZAÇÃO:

Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas – ou seja, grãos de pólen que estão localizados nas anteras de uma flor – para o receptor feminino (ou estigma) de outra flor.

Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas. Este processo, em especial o transporte de pólen, é realizado durante as visitas das abelhas às flores para coleta de alimento.

Sem polinização, as plantas não produziriam sementes e frutos, e não se reproduziriam para garantir o crescimento e a sobrevivência da vegetação nativa, ou a produção de alimentos.

Se por um lado as abelhas são fundamentais para a sobrevivência das plantas, estas são imprescindíveis para a sobrevivência das abelhas, já que lhes oferecem alimentação e moradia.

O pólen e o néctar são os alimentos oferecidos pelas flores. O pólen é a principal fonte de proteínas, lipídios e vitaminas para as abelhas, enquanto o néctar – transformado em mel – é a principal fonte de carboidratos e energia.

Abelha mirim polinizando

Meliponários

Meliponários, Coletivos e Individuais. Entenda o significado e as diferenças dos modelos utilizados para a criação de abelhas nativas. Saiba as condições necessárias para a instalação dos Meliponários.

Meliponários são chamados os locais onde são instaladas as colmeias de meliponíneos. É diferente de apiário, onde são instaladas as caixas das abelhas Apis Mellifera. Não existe um padrão para definir um bom meliponário. Assim as condições específicas de cada localidade e a criatividade do meliponicultor definem a busca pelos seus principais objetivos: dar conforto para as abelhas e facilitar o manejo do meliponicultor.

Um aspecto importante a ser considerado é que as colmeias de abelhas nativas devem estar sempre em locais sombreados. Podem tomar um pouco de sol pela manhã, mas deve-se evitar incidência direta de sol a partir das 9h. A seguir serão apresentados exemplos de meliponários de duas categorias: meliponários coletivos e meliponários com suportes individuais.


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Meliponários coletivos

Meliponário Coletivo Clássico

As imagens acima ilustram o mais clássico modelo de meliponário da meliponicultura brasileira: as caixas são instaladas nos alpendres ou varandas das casas, bem próximas aos meliponicultores, o que facilita o acesso para o manejo e o cuidado contra furtos.

As desvantagens desse modelo são a proximidade com as luzes da casa. Muitas vezes enganam as abelhas atraindo-as no meio da madrugada e a dificuldade de acesso às caixas, já que ficam no alto e precisam ser removidas para o manejo.

Já as imagens abaixo demonstram meliponários típicos do sertão nordestino, especialmente do estado do Rio Grande do Norte. Os quais costumam abrigar a abelha jandaíra (Melipona subnitida).

Meliponário Coletivo Típico Nordestino

Existem ainda meliponários mais elaborados, como o ilustrado abaixo. O qual dá suporte para pesquisas associadas ao Projeto Abelhas Nativas, no estado do Maranhão. Assim este tipo de meliponário traz uma facilidade no manejo dos enxames. Visto que o meliponicultor tem acesso a todas as caixas sem bloquear a frente das caixas com o corpo. Assim não interfere na entrada e saída das abelhas durante o monitoramento das caixas.

Meliponário Coletivo

Meliponários com suportes individuais

Como ilustrado nas figuras abaixo, nesse tipo de meliponário as colmeias são instaladas em suportes individuais. Assim as caixas são protegidas da chuva com coberturas independentes, que não exigem a construção de estruturas complexas.

Uma boa alternativa de cobertura é um simples pedaço de telha de fibrocimento (amianto não!). De tamanho suficiente para proteger a caixa da chuva e auxiliar no sombreamento.

Aconselha-se que meliponários deste tipo sejam instalados em terrenos limpos e sombreados. Mas livres da cobertura de árvores com frutos grandes que possam danificar as telhas e colmeias.

Este tipo de meliponário facilita muito o trabalho do meliponicultor, uma vez que as caixas não precisam ser movidas durante as atividades de manejo. É importante que os suportes tenham uma altura que proporcione conforto ao trabalho, variando de 80 cm a 1 m, conforme a altura do meliponicultor.

Meliponário Individual
A distância entre os suportes pode variar de 80 cm a 2 m, dependendo do tipo de abelhas. O ordenamento dos suportes deve ser definido de acordo com as espécies disponíveis, com base na experiência de cada meliponicultor.
Espécies populosas e agressivas exigem distâncias maiores. Portanto abelhas dóceis e menos populosas podem ficar mais próximas. Aconselha-se que o criador iniciante busque informações sobre o comportamento de suas abelhas com meliponicultores experientes ou nos locais onde adquiriu suas colmeias .
 

Instalação de Meliponários

Para que um meliponário tenha sucesso no fortalecimento das colmeias , algumas condições fundamentais devem serem consideradas no momento em que o meliponicultor está escolhendo o local de sua instalação.

Flora:

O primeiro fator a ser considerado é a ocorrência de florada, ou seja, plantas que forneçam pólen e néctar às abelhas durante a maior parte do ano. Assim vale lembrar que cada espécie de abelhas sem ferrão possui um raio de ação, que é a distância que as abelhas operárias percorrem até a fonte de alimento (flores). Este fator é muito importante na escolha do local do meliponário. Para exemplificar podemos citar o raio de ação de algumas espécies como, Jataí 1km, Mandaçaia 2,5km, Irapuá 850m e Mirins 550m.

Água:

Tão importante quanto a flora, a água é um elemento fundamental para o desenvolvimento de uma colmeia de abelhas sem ferrão. Portanto é recomendado que o meliponário tenha uma fonte de água a no máximo 100 metros de distância. De preferencia uma água corrente e de boa qualidade. Assim caso não seja possível ter essa fonte natural de água próxima, é possível a instalação de bebedouros artificiais, que sejam periodicamente renovados para impedir a proliferação de organismos indesejáveis na água.

Vento:

É muito importante evitar locais com forte incidência de ventos fortes. Os ventos dificultam o voo das abelhas fazendo com que elas gastem mais energia para se locomover até a fonte de alimento. Outro problema é o resfriamento das caixas, assim as abelhas também gastam mais energia para manter a temperatura de sua colméia.

Sombreamento:

O ideal é colocar as caixas em local sombreado para evitar que o sol aqueça excessivamente a colmeia. As caixas devem ser protegidas por alguma cobertura, normalmente uma telha. É interessante que fique um vão entre a telha e a tampa da caixa para que a temperatura da telha não seja transmitida para a caixa.

Acesso:

O meliponário deve ter fácil acesso para facilitar o meliponicultor na hora do manejo das colméias.

Cerca:

Proteger o meliponário com uma cerca é muito importante para a segurança das abelhas. Uma cerca viva com por exemplo, Ora pro Nobis, além de proteger o meliponário de invasão de animais grandes e do vento, vai fornecer flora para o meliponário.